Rita Redshoes encantou Loulé com o seu pop sinfónico


O Cine-Teatro Louletano voltou a viver uma noite mágica, com um espetáculo inesquecível de Rita Redshoes, integrado na tournée de promoção do novo disco de originais «Her». Um registo mais sinfónico com a introdução de um quarteto de cordas que catapultou os temas da artista para um novo patamar e o público rendeu-se por completo, às novas melodias, mas também aos êxitos de outros álbuns, agora com uma roupagem mais clássica.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

O Cine-Teatro Louletano recebeu, no dia 24 de fevereiro, a estreia em terras algarvias da tournée de Rita Redshoes do novo álbum «Her», num concerto inserido no ciclo musical «Femina» que pretende trazer a Loulé, ao longo de 2017, grandes vozes no feminino. E quem se deslocou à principal sala de espetáculo do maior concelho do Algarve assistiu a um concerto fenomenal, com um quarteto de cordas a acompanhar o piano e as várias guitarras da Rita, que nasceu Ribeiro e surgiu na música como Redshoes.
Temas profundos que nos faziam vivenciar histórias, de olhos fechados, outros mais simples, com batidas mais mexidas. O público esgotou a sala e não se cansou de bater palmas no final de cada tema. No palco, viu-se uma Rita encantada da vida, a fazer o que mais gosta, de sorriso nos lábios, até teve que se levantar uma vez do piano com o calor que lhe aquecia a alma. Não estava ali a picar o ponto ou a pensar no cachet, mas a vibrar com a sua música, a falar da cataplana mista que tinha comido, minutos antes, do outro lado da estrada, no Restaurante Avenida, e também do famoso Carnaval de Loulé, que iria animar a cidade a partir do dia seguinte.
Uma artista de mão cheia, cujo percurso começou, como baterista, num grupo de teatro de escola. Cedo deu mostras do seu imenso talento em múltiplos instrumentos e passou por diversos projetos musicais como autora e intérprete, entre os quais Atomic Bees, Photographs, Rebel Red Dog, David Fonseca, The Legendary Tigerman, Noiserv. Em 2008, aventurou-se finalmente em nome próprio, com «Golden Era», seguindo-se «Lights & Darks» (2010) e «Life is a Second of Love» (2014). No ano passado, Rita Redshoes rumou a Berlim para gravar o seu quarto álbum de estúdio, «Her», onde depressa se evidencia uma sonoridade mais sinfónica, graças à introdução de um quarteto de cordas que passou a acompanhá-la na estrada.
Para além de ser o disco em que mais instrumentos tocou (piano, omnichord, teclados e guitarra acústica), outra novidade, que resultou em pleno, ao incluir três temas em português, um deles escrito em coautoria com Pedro da Silva Martins. “Já tinha vontade de o fazer há alguns anos e, curiosamente, a primeira música que escrevi para este trabalho saiu logo em português. Aconteceu de uma forma muito espontânea e genuína”, explicou, horas antes de subir ao palco em Loulé, confirmando a sonoridade mais clássica proporcionada pelos arranjos de cordas do princípio ao fim de «Her». “Penso que há uma maior maturidade neste disco e, embora não seja concetual, acaba por ter um fio condutor a todas as canções, que se prende com o lado feminino, não só na mulher, mas em todos nós. Aborda o modo como lidamos com esse lado feminino, fala de alguns preconceitos que ainda existem na sociedade moderna, é um disco mais direto em relação aos seus anteriores”.