Crepes feitos com muita paixão e à base dos melhores produtos algarvios


A Quinta Pedagógica do Peral, em São Brás de Alportel, foi o local escolhido por António Cruz, ou Tony Cruz, para dar a conhecer os seus crepes algarvios. Feitos com muito amor e dedicação à sua terra e confecionados unicamente com ingredientes locais e regionais, estes crepes combinam o melhor dos conceitos da «Street Food» e «Slow Food» e podem ser apreciados na caravana ambulante de Tony Cruz, que se estreou na edição deste ano da Feira da Serra e vai agora marcar presença nos principais festivais gastronómicos do Verão Algarvio.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

A Quinta Pedagógica da Quinta do Peral, em São Brás de Alportel, acolheu, no dia 22 de julho, o que seria um almoço de apresentação dos crepes algarvios de António Cruz, mas a degustação acabou por se prolongar pela tarde adentro, tal a quantidade, diversidade e, acima de tudo, a qualidade sensorial destes produtos confecionados unicamente com ingredientes algarvios.
A massa é de trigo-sarraceno, os sabores, são os melhores dos produtores locais, das hortas e pomares, dos enchidos, das carnes de vaca, galinha, coelho. Uma massa especial para os crepes salgados, outra vocacionada para os crepes doces, funcionam como invólucros de combinações que fizeram as delícias dos convidados para esta degustação em tom informal, porque António Cruz, ou Tony Cruz, como é conhecido pelos amigos, não é homem de ligar muito às convenções, aos discursos de fato e gravata, aos eventos com demasiada pompa e circunstância. Aqui, o que marca pontos é a carne aromatizada de poejo ou orégãos, a chouricinha aloirada, a sardinha, o tomate, o tomilho cabeçudo, o queijo de cabra, as ervas aromáticas que recheiam os crepes salgados. Para os adocicados estão reservadas a laranja, o limão, o figo, a alfarroba e a amêndoa, o mel, o medronho e a amarguinha. 
Não admira, por isso, a hora avançada a que os participantes neste almoço abandonaram a Quinta Pedagógica da Quinta do Peral, de barriga cheia, de paladar satisfeito, mas a pedir por mais, porque estes crepes algarvios são, passe a redundância, de pedir por mais. O mais incrível disto tudo é que Tony da Cruz não é nenhum chef conceituado, aliás, o próprio confessou que, de cozinha, pouco ou nada percebia antes de embarcar nesta aventura. “Tinha um grupo de empresas em França ligadas ao ramo da construção civil e toda a minha vida trabalhei com as mãos. Infelizmente, ao fim de muitos anos de intensa carga, as mãos falharam-me, deixaram de conseguir responder às exigências da minha atividade profissional”, relatou o empresário de 43 anos, que nasceu em França, veio para São Brás de Alportel aos cinco anos de idade, regressou a França por volta dos 21 e por lá ficou mais duas décadas, até este problema de saúde lhe ter alterado os planos. 
De cabeça almareada, a regressar a casa depois da consulta do médico, pensava no que fazer à vida à entrada dos 40 anos, a tal idade simbólica onde muitos homens têm a chamada «crise da meia-idade». A «crise», neste caso, não era psicológica, era mesmo por questões de saúde. Ao deambular por uma grande superfície comercial, perdido por entre os corredores, saltaram-lhe à vista duas crepeiras, como que a brilhar. “Fui para casa e comecei a cozinhar crepes, sem ter a mínima noção do que estava a fazer. Com o tempo fui aprendendo os segredos do ofício e tive a sorte de estar próximo da Bretanha, que dizem ser a região fetiche dos crepes. Contudo, o crepe é milenar e dificilmente um país pode reivindicar a sua invenção”, explicou, perante o olhar atento dos participantes na degustação, cativados pela forma descontraída, e «algarvia», com que Tony Cruz se dirigia à plateia que tinha pela frente. “Parecia um biscateiro de domingo, umas massinhas à esquerda, outras massinhas à direita, e fui inovando, um perfeito autodidata. Li muitos livros e telefonei a vários amigos que tinha no ramo hoteleiro que me foram dando algumas dicas, mas aquilo era uma autêntica proeza para mim. Eu estava habituado a trabalhar nas obras, portanto, chegar a casa, pegar num naco de massa e fazer um crepe, deixava-me todo contente”, lembrou.

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