Turismo Rural conhece uma segunda vida no Algarve… mas não é «pêra-doce»


O Turismo Rural tem registado um grande fulgor nos últimos anos, com a recuperação de antigas unidades e o nascimento de novos hotéis rurais melhor apetrechados para responder aos desafios atuais do mercado e às exigências dos clientes modernos. Exemplo disso é o Hotel Quinta do Marco, localizado em Santa Catarina, concelho de Tavira, onde estivemos à conversa com o proprietário Hélder Martins.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

Na estrada que liga Santa Catarina a Tavira encontra-se o Hotel Quinta do Marco, uma unidade de turismo rural nascida há cerca de nove anos e que, depois de ter encerrado em 2014, foi adquirida e reaberta, em 2016, pelo conhecido empresário e antigo presidente da Região de Turismo do Algarve, Hélder Martins. Com 60 camas divididas por 24 quartos duplos, triplos e familiares, possui restaurante, bar, spa, sauna e banho-turco, piscina aquecida com jacuzzi, ou seja, praticamente tudo o que existe num tradicional hotel urbano. A tudo isto somam-se, contudo, 18 hectares de terreno onde se desenvolvem múltiplas atividades com os animais residentes e onde existem mais de 11 mil laranjeiras, porque a propriedade dedicava-se à produção agrícola antes de ser reconvertida para o turismo rural. “Toda esta zona era vista, há uns tempos, como um Algarve «de segunda» e agora é o mais procurado pelas pessoas que gostam do Algarve mais preservado e sossegado, com praias de qualidade, onde se aposta na gastronomia, nas tradições, na autenticidade. Por isso, não temos os típicos ingleses como principais clientes, mas antes os portugueses, franceses, holandeses e alemães, que querem gozar desta tranquilidade e estar, ao mesmo tempo, próximos do litoral”, observa Hélder Martins.
A receita de sucesso do turismo rural nos tempos modernos está à vista enquanto passeamos pelo Hotel Quinta do Marco, um conceito de estar na vida real, rodeado de árvores de fruto, desde as laranjeiras às nespereiras, figueiras, alfarrobeiras e amendoeiras, de acordar com o cantarolar do galo, de ouvir o chilrear dos pássaros enquanto se lê um livro à beira da piscina, de beber um copo de champanhe com a cara-metade a vislumbrar o pôr-do-sol. “O turismo rural começou em Portugal há uns bons anos atrás com o restauro de quintas e casas senhoriais, essencialmente no Alentejo e no Norte, e depois foi-se espalhando um pouco por todo o país. No Algarve havia algumas unidades que trabalhavam sobretudo em Agosto e, no resto do ano, apenas aos fins-se-semana, mas o perfil do cliente e do empresário do turismo rural mudou bastante nestes últimos tempos”, analisa Hélder Martins.
De acordo com o entrevistado, a primeira grande questão que se coloca é se o turismo rural será a atividade principal ou apenas um complemento à exploração agrícola, o que, na região, não é muito usual. “Em França e Itália, onde está a sua génese, havia agricultores com grandes propriedades e casas muito interessantes que adaptavam para receber hóspedes. No Algarve, alguns empresários que estavam neste negócio há 15 anos conseguiram adaptar-se, outros ficaram pelo caminho, porque estamos a falar de uma atividade de forte cariz familiar e nem todos os filhos querem seguir as pisadas dos pais”, explica, reforçando que os clientes atuais se preocupam imenso com o bem-estar e a saúde, querem participar em atividades físicas e provar a gastronomia local e tudo isso podem encontrar no turismo rural. “Claro que o cliente principal do Algarve continuará a ser o que procura o «sol e praia» - é esse o grande negócio da região em termos de quantidade – mas há negócios complementares que até sentem menos os efeitos da sazonalidade e que são procurados especificamente por determinados clientes”.

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