«Faceal - 4 Sea Internacional Academy» leva investigação e desenvolvimento a Paderne


O Salão Nobre da Câmara Municipal de Albufeira acolheu, no dia 3 de agosto, a apresentação do projeto «Faceal – 4 Sea International Academy», que reconverterá as antigas instalações da Faceal, localizadas em Paderne, numa moderna academia vocacionada para a economia do mar. Uma iniciativa que, como se adivinha, contou de imediato com o parecer positivo do edil Carlos Silva e Sousa, por ser um projeto ambicioso para Albufeira e para a freguesia onde se vai inserir. “É um projeto com peso, de carater nacional e internacional, que vai trazer a melhor ciência nestas matérias, com o apoio da Universidade do Algarve. Em simultâneo, vai esbater ainda mais a ideia que ainda persiste de haver interioridade em Paderne, porque vai atrair à aldeia estudantes de todos os pontos de Portugal e do estrangeiro. Para além disso, o projeto inclui ainda a reabilitação de um edificado que está bastante degradado”, destacou o presidente da Câmara Municipal de Albufeira. “A economia do mar está em grande expansão e agora vai chegar à parte mais interior de Albufeira, que é um concelho do litoral, com 30 quilómetros de costa”, reforçou.


Carlos Silva e Sousa salientou igualmente o facto deste projeto de educação ter elevada empregabilidade assegurada, acima dos 90 por cento. “Só não trabalharão nesta área os formandos que assim não o quiserem”. Por sua vez, Pedro Ferré, vice-reitor da Universidade do Algarve, referiu que o ensino superior tem tentado, nem sempre com sucesso, encontrar convergências com a sociedade civil e que, dessa forma, por vezes se afasta dos seus saberes, “criando especializações cedo de mais, o que tem consequências na formação daqueles que pretendemos formar com solidez”. “Completamente diferente é associarmos os nossos conhecimentos, de uma forma sólida e sustentada, às empresas. Em abril de 2016 assinámos um protocolo com a «Martrain», onde se estabeleceram uma série de premissas nos domínios do ensino, da investigação, da formação, da organização e apresentação de projetos, em simultâneo com estágios científicos ou técnicos, entre outras atividades. Creio que poderemos ser úteis em alguns aspetos e dois dos mais importantes centros de investigação da Universidade do Algarve – o CCMAR e o CIMA – estão a colaborar com a «Martrain»”, enfatizou Perro Ferré.
Para Tiago Magalhães, diretor executivo do CCMAR – Centro de Ciências do Mar, quanto mais parceiros e maior diversidade existirem, melhor será para a chamada «economia do mar», sendo que este projeto vai cobrir novas áreas e potenciar todas as entidades envolvidas. “Sendo o mar uma prioridade nos dias que correm, é importante também que exista escala e isso consegue-se com parceiros fortes, diversos, a falar entre eles”, defendeu Tiago Magalhães. Já Paulo Freitas, presidente da Assembleia Municipal de Albufeira, apontou que a «Faceal – 4 Sea International Academy» traz a inovação, o desenvolvimento, a investigação e a vontade de fazer para Paderne e Albufeira. “Não estamos a falar de uma escola, mas de uma academia internacional, num local que até seria insuspeito para a sua implantação. É investigação e desenvolvimento, capacitação de pessoas, educar para criar, que chegam a Paderne, após um processo de aquisição que foi demorado devido às vicissitudes da economia nacional”.
A futura «Faceal – 4 Sea International Academy» surge, então, com os objetivos de desenvolver um centro de excelência de formação em língua portuguesa com reconhecimento internacional, nas antigas instalações da Faceal, em Paderne, cujo espaço será requalificado de maneira a provocar o menor impacto possível. Em termos de oferta formativa, incluirá Treino Básico Universal de Sobrevivência e sua atualização; Formação para Abandono de Helicóptero Submerso com EBS; Treino de Familiarização Free Fall Lifeboat; Curso Básico de Busca Subaquática; Intervenção em Espaços Confinados Submersos; Manuseamento de Extintores; Segurança Básica STCW/2010; Gestão de Recursos em Simulador de Ponte de Comando; Segurança na Condução de Máquinas Marítimas; Segurança em Rebocadores Portuários; Segurança Ocupacional de Hotelaria a bordo dos navios; Segurança no Trabalho a bordo dos navios; Segurança no Trabalho a bordo dos navios Ro/Ro. “Vai ser um centro de formação ímpar na Europa nas áreas de prevenção, segurança e ambiente, com o equipamento e tecnologia mais modernos que existem. A qualidade da formação e as excelentes condições climatéricas asseguram uma elevada internacionalização”, antevê Alexandre Delgado, Presidente da «Martrain», cooperativa sem fins lucrativos que engloba uma série de individualidades e coletividades ligadas, direta ou indiretamente, à economia do mar.


A formação da «Faceal – 4 Sea International Academy» ficará a cargo da AEMAR, que possui um historial de 26 anos nesta área específica. “Até há bem pouco tempo éramos a única entidade no país que fazia formação especializada na vertente da segurança marítima”, referiu o seu Diretor Administrativo, Luís Carvalho. “A formação inicial destina-se a jovens entre os 15 e os 20 anos que tenham o 9.º ano de escolaridade completo, com cursos vocacionados para o mar, como de Contramestre, Técnico de Mecânica Naval, Técnico de Eletricidade Naval, e áreas afins. No final, terão uma certificação de nível quatro com equivalência escolar ao 12.º ano”, explicou.
O projeto comporta um investimento na ordem dos cinco milhões de euros, a maior parte proveniente de fundos comunitários a que irão ser apresentados as candidaturas necessárias. “Sobre a fatia menor, a situação será posteriormente estudada, mas a «Martrain», neste momento, está em condições de assegurar esse financiamento”, afirmou Luís Carvalho. A intervenção deverá rondar o ano e meio mas a data do seu início está dependente dos prazos normais que decorrem dos fundos comunitários. O Diretor Administrativo da AEMAR acredita, porém, que, no primeiro semestre de 2018, os trabalhos poderão avançar no terreno. Depois da sua abertura, a academia vai gerar entre 50 a 60 postos de trabalho diretos e em permanência e, ao nível de formandos, o número nunca deverá ser inferior aos 500 alunos.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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