Quatro anos depois do lançamento de «Soul Notes», Aurea entrou de rompante em 2016 com o seu terceiro álbum, de nome «Restart», saltou num ápice para os tops nacionais e voltou a evidenciar todo o seu talento. Já com presenças confirmadas na Semana Académica da Universidade do Algarve e no Festival do Marisco de Olhão, é com um tremendo prazer que a diva do soul português regressa à sua região para cantar, conforme revelou em conversa com o Algarve Informativo.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Mário Ângelo

Aurea saltou para a ribalta, em setembro de 2010, quando se estreou no meio musical com um álbum homónimo, tendo de imediato sido considerada como uma das melhores vozes portuguesas da atualidade. Não foi de admirar, por isso, que «Aurea» tenha disparado para o número 1 dos tops nacionais de vendas e alcançado a dupla platina, feito de invejar numa época em que cada vez se vendem menos discos de música.
Um ano depois, novo disco, desta feita ao vivo no Coliseu dos Recreios, que obteve o mesmo sucesso, mercê da voz poderosa e sedutora desta algarvia de gema, bem como da sua beleza e simpatia deslumbrantes. 2011 que foi, de facto, o ano de afirmação de Aurea, vencendo o Globo de Ouro de melhor Artista a Solo e conquistando o troféu de melhor Artista Português dos MTV Music Awards, feito que repetiu em 2012. Uma senda vitoriosa que prosseguiu com o segundo disco, «Soul Notes», a atuar em inúmeros festivais, a dar voz a filmes de animação, a ser júri de programas de televisão, inclusive a ser o rosto de uma conceituada marca de automóveis.
Depois, um interregno, momento de recarregar as baterias, até ressurgir, no início de 2016, com «Restart», e a história parece destinada a repetir-se, pois saltou diretamente para os tops nacionais. E lá começou novamente a azáfama das entrevistas para a televisão, rádios, jornais e revistas, não há tempo para descansar, enquanto se prepara igualmente para ir para a estrada, para os concertos ao vivo, aquilo que verdadeiramente apaixona os artistas. “Felizmente, a resposta do público está a ser bastante positiva, tenho recebido imensas mensagens de carinho, apoio e incentivo e espero poder andar a cantar as minhas músicas, de norte a sul de Portugal, para estar mais perto das pessoas”, confirma Aurea.
Curiosamente, a silvense até estava apostada em seguir uma carreira na representação e chegou a iniciar o curso na Universidade de Évora, nunca imaginando que a sua vida pessoal e profissional pudesse se alterar de um dia para o outro. “Eu e a minha equipa sempre fizemos o nosso trabalho com toda a dedicação e empenho, com o objetivo de dar ao público o melhor de nós, mas os prémios foram uma enorme surpresa e um incentivo para continuarmos a fazer cada vez mais e melhor”, sublinha, revelando que o clique, o momento em que tudo se transformou por completo, foi ter conhecido Rui Ribeiro. “Ele percebeu que eu gostava de cantar, compôs uma música para mim, gravamos e mostrou o tema a uma produtora com quem ele trabalhava na altura. Eles gostaram, chamaram-me e perguntaram-me se eu queria gravar um disco”, recorda Aurea.
Os passos seguintes foram congelar a matrícula na universidade e mudar-se para Lisboa e o resto da história é mais ou menos do conhecimento público. Mas o sucesso nunca foi um dado adquirido, até porque Aurea interpreta um estilo – a soul music – que não tem grandes tradições em Portugal, ao contrário do que sucede do outro lado do Atlântico e em alguns países do Velho Continente. “A escolha teve a ver com o meu gosto pessoal, com aquilo que me sinto mais confortável a cantar, com o género com que me identifico mais. Não é, de facto, o estilo mais óbvio para se ter êxito, assim como cantar em inglês, mas nós temos que seguir aquilo que o nosso coração nos diz. Apaixonei-me logo pelos temas que o Rui Ribeiro compôs e estava descoberto o caminho que queria percorrer”, indica Aurea.