Assinalou-se, a 7 de setembro, mais um Dia do Município de Faro, data marcada pela homenagem a várias personalidades e coletividades do concelho, mas também pela abertura de um novo caminho municipal e por diversos momentos culturais. Entre eles, um destaque merecido para o lançamento da autobiografia do antigo presidente da Câmara Municipal de Faro, Negrão Belo, que encheu por completo os claustros do Museu Municipal de Faro.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

O dia 7 de setembro voltou a ser de festa para o concelho de Faro, que ainda estava a recuperar do tremendo sucesso de mais uma edição do Festival F, com as comemorações do Dia do Município. Como de costume, as cerimónias oficiais começaram com o Içar da Bandeira, logo pelas 9h30, seguindo-se a tradicional Sessão Solene nos Paços do Município, que incluiu a justa homenagem a nove individualidades e coletividades do concelho.
Perante um Salão Nobre completamente cheio de responsáveis municipais e regionais, bem como convidados especiais oriundos de outros pontos do planeta, foram distinguidos a Companhia de Dança do Algarve, Eduardo Pinto Viegas, Fernanda Cinturão Pacheco Pires, Isaurindo Coelho Chorondo, Ludgero dos Santos Sequeira, Lurdes Baeta, Manuel Célio de Jesus da Conceição, Manuel Eurico Santos Mestre e Rui Isidro da Silva Machado. Foram também atribuídas Medalhas de Bons Serviços e Dedicação a Funcionários Municipais, sendo que, por entre os dois momentos, houve oportunidade para assistir a uma excelente atuação dos «Amar Guitarra», de João Cuña e Pedro Mendes.
Na ocasião, Fernanda Cinturão Pacheco Pires, enfermeira aposentada do Departamento de Psiquiatria do Centro Hospitalar do Algarve e uma das responsáveis pela criação, em 1991, da ASMAL – Associação de Saúde Mental do Algarve, fez questão de partilhar a homenagem com João Pires, seu marido e companheiro de todas as jornadas, assim como com as equipas do Centro de Saúde Mental e a equipa técnica e dirigente da ASMAL. Também a jornalista da TVI Lurdes Baeta agradeceu a distinção e lembrou que Faro lhe deu “horizontes e cultura”. “Faro é uma cidade aberta, ao contrário do que se diz da província, porque todos os anos entram nela milhares de turistas. Aqui chegavam primeiro as modas, as músicas, a cultura, mas o mundo passa pelas nossas ruas e eu fui atrás dele. Tenho Faro no meu coração, a minha família vive cá e estou muito orgulhosa por esta homenagem”, reconheceu Lurdes Baeta.
Outro homenageado a usar da palavra foi Manuel «Necas» Mestre, fundador e presidente do Clube de Surf de Faro, distinguido com a Medalha de Mérito de Grau Ouro, que agradeceu a todos os que acreditaram nele e que o apoiaram no seu percurso. “Nunca me passou pela cabeça que uma distinção destas me fosse atribuída, o que acarreta um aumento das minhas responsabilidades para com a cidade. Tentarei nunca desiludi-los e contribuir para que Faro evolua. Deixo também uma palavra para todos os dirigentes associativos que prescindem dos seus fins-de-semana e de muitas horas após os seus dias de trabalho para dar um contributo a esta cidade e aos seus atletas e sem qualquer remuneração financeira”, frisou Manuel Mestre. “Nesta sociedade em que estamos inseridos, de constante evolução e mutação, temos que ser pró-ativos, criativos, líderes, decisores, temos que nos saber fazer ouvir, mas, acima de tudo, devemos ter a capacidade de saber ouvir e aproveitar as boas ideias que vão surgindo. Mesmo as más ideias podem ser alvo de reflexão e dar origem a excelentes ideias”.
O presidente do Clube de Surf de Faro entende que a capital algarvia tem sofrido uma evolução positiva nos últimos anos sem perder a sua identidade, com mais turismo e oferta em todos os campos. No entanto, voltou a enfatizar a necessidade da Ilha de Faro possuir uma ponte com dois sentidos que permita o seu fácil, rápido e seguro acesso. “Faro vai deixando de ser uma cidade só de serviços e de gentes locais e tem que criar mais massa humana, mais postos de trabalho, aumentar o rendimento e a qualidade de vida das suas famílias”, defendeu o dirigente associativo, apelando para que todas as instituições do concelho trabalhem em prol dos mesmos objetivos e “não se tentem bloquear numa demonstração tola de poder”.

Faro recuperou orgulho e futuro

A finalizar, usou da palavra o presidente da Câmara Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, que teceu primeiramente elogios aos funcionários da autarquia distinguidos na Sessão Solene, bem como aos farenses que têm ajudado ao desenvolvimento e projeção do concelho além-fronteiras. Depois, lembrou que Faro já não é um doente severo como sucedia há alguns anos. “Já não temos problemas que pareciam insanáveis em matéria financeira e orçamental. Recuperamos a boa imagem do município, mostrando que era possível cortar mais de 40 por cento da dívida total e, ao mesmo tempo, ganhar eficiência operacional. Naturalmente que os indicadores vitais de Faro radicam no esforço individual e coletivo dos seus habitantes, seja no mundo dos negócios e do trabalho, ou no plano educativo, cultural, desportivo e social”, salientou o edil.
Rogério Bacalhau destacou as melhorias verificadas nos espaços públicos e no parque escolar do concelho e chamou a atenção para a maior dinâmica da baixa e do centro histórico de Faro. “As ações de regeneração urbana estão a cumprir a sua missão de alavanca da economia e do comércio local e o mesmo se passa com os eventos, como o «Alameda Beer Fest», o «Baixa Street Fest» ou o Festival F, que trouxeram para os farenses um indisfarçável orgulho por saberem que, afinal, o concelho também é capaz de ter animação de qualidade e de rivalizar com o que de melhor se faz em Portugal”, sublinhou, virando depois a atenção para a requalificação da rede de estradas do concelho. “Onde se viam buracos já se podem ver hoje caminhos asfaltados, estradas reparadas e avenidas sinalizadas. Fizemos o maior investimento em mais de uma década em betuminoso e aumentamos a rede local, enquanto a variante a Faro ia já afirmando a importância transcendental que justificou todas as exigências e demandas para que este dossier fosse finalmente desbloqueado”
O presidente da Câmara Municipal de Faro afirmou, porém, que muito há ainda por fazer e lembrou que, no passado dia 4 de julho, se começou a escrever um futuro novo para os farenses, quando a Assembleia Municipal aprovou, por unanimidade, a primeira revisão ao orçamento de 2016. “Teremos 4,7 milhões de euros para investir no concelho e devolver aos munícipes o fruto do seu esforço. É mais apoio ao comércio e às associações do concelho; mais recuperação de estradas, ruas e caminhos; melhor rede escolar, equipamentos de lazer, de desporto e outros; melhores condições para os nossos bombeiros e para o transporte escolar”, adiantou Rogério Bacalhau, referindo ainda que Faro se tem conseguido afirmar como uma excelente alternativa aos destinos turísticos tradicionais do Algarve que assentam a sua oferta do «sol e praia». “Faro tem património e cultura, mas não tem ainda o litoral que tanto deseja e que pode ter. Na verdade, há uma enorme diferença de qualidade entre a imagem que o centro da cidade oferece e a que é projetada pela zona ribeirinha. Veja-se o porto comercial que, de repente, já não tem expetativas nem investimento. Veja-se a velha doca, com os barcos em doca seca, o lixo acumulado, os muros cheios de fissuras e as infiltrações de água nas artérias circundantes”, apontou o autarca.
Rogério Bacalhau lamentou, por isso, que Faro esteja a crescer a duas velocidades, com um desenvolvimento assinalável no casco urbano, e um litoral abandonado e a degradar-se. “Os farenses exigem, e com razão, que a DOCAPESCA atua já, independentemente da configuração de projetos futuros. Exigem ainda à Ministra do Mar e à Administração dos Portos de Sines e do Algarve que não deixem o porto comercial de Faro morrer e que ouçam as ideias que temos a esse respeito. Exigem igualmente ao governo que efetive a nova ponte para a Praia de Faro e que avance de uma vez por todas com o processo de realojamento dos pescadores e da definição do estatuto do núcleo da Culatra”, disparou, entendendo que gerir o litoral não se resume a demolir e proibir. “É criar condições para que o mar e a ria sejam uma mais-valia para o território e para as comunidades que devem servir. A nossa capacidade de crescer colocou-nos no mapa. A nossa especialização no turismo, cultura e ciência está a fortalecer. Saibamos todos nós valorizar as nossas potencialidades e dar o devido valor a Faro e aos farenses, aos que cá nasceram e aos que cá vivem”, concluiu Rogério Bacalhau. 
Terminada a Sessão Solene, foi tempo de descerrar a placa toponímica «Rua Dr. António de Noronha», junto à Pista Municipal de Atletismo. Após o almoço, as comemorações reataram com a abertura oficial, às 16h, do Caminho Municipal 520-1 «Estrada dos Valados», e com a inauguração da exposição «Relicários», do Arq.º Cabrita do Carmo, no Club Farense, às 17h. O programa do Dia do Município encerrou da melhor maneira, pelas 18h30, com a apresentação das memórias do antigo presidente da Câmara Municipal de Faro, Prof. João Negrão Belo, «Um Caráter Saudavelmente Rebelde», no Museu Municipal de Faro.