Assinalou-se, a 7 de setembro, mais um Dia do
Município de Faro, data marcada pela homenagem a várias personalidades e
coletividades do concelho, mas também pela abertura de um novo caminho
municipal e por diversos momentos culturais. Entre eles, um destaque merecido
para o lançamento da autobiografia do antigo presidente da Câmara Municipal de
Faro, Negrão Belo, que encheu por completo os claustros do Museu Municipal de
Faro.
Texto: Daniel Pina |
Fotografia: Daniel Pina
O dia 7 de setembro voltou a ser de festa para o concelho de
Faro, que ainda estava a recuperar do tremendo sucesso de mais uma edição do
Festival F, com as comemorações do Dia do Município. Como de costume, as
cerimónias oficiais começaram com o Içar da Bandeira, logo pelas 9h30,
seguindo-se a tradicional Sessão Solene nos Paços do Município, que incluiu a
justa homenagem a nove individualidades e coletividades do concelho.
Perante um Salão Nobre completamente cheio de responsáveis
municipais e regionais, bem como convidados especiais oriundos de outros pontos
do planeta, foram distinguidos a Companhia de Dança do Algarve, Eduardo Pinto
Viegas, Fernanda Cinturão Pacheco Pires, Isaurindo Coelho Chorondo, Ludgero dos
Santos Sequeira, Lurdes Baeta, Manuel Célio de Jesus da Conceição, Manuel
Eurico Santos Mestre e Rui Isidro da Silva Machado. Foram também atribuídas
Medalhas de Bons Serviços e Dedicação a Funcionários Municipais, sendo que, por
entre os dois momentos, houve oportunidade para assistir a uma excelente
atuação dos «Amar Guitarra», de João Cuña e Pedro Mendes.

Outro homenageado a usar da palavra foi Manuel «Necas»
Mestre, fundador e presidente do Clube de Surf de Faro, distinguido com a
Medalha de Mérito de Grau Ouro, que agradeceu a todos os que acreditaram nele e
que o apoiaram no seu percurso. “Nunca me passou pela cabeça que uma distinção
destas me fosse atribuída, o que acarreta um aumento das minhas
responsabilidades para com a cidade. Tentarei nunca desiludi-los e contribuir
para que Faro evolua. Deixo também uma palavra para todos os dirigentes
associativos que prescindem dos seus fins-de-semana e de muitas horas após os
seus dias de trabalho para dar um contributo a esta cidade e aos seus atletas e
sem qualquer remuneração financeira”, frisou Manuel Mestre. “Nesta sociedade em
que estamos inseridos, de constante evolução e mutação, temos que ser
pró-ativos, criativos, líderes, decisores, temos que nos saber fazer ouvir,
mas, acima de tudo, devemos ter a capacidade de saber ouvir e aproveitar as
boas ideias que vão surgindo. Mesmo as más ideias podem ser alvo de reflexão e
dar origem a excelentes ideias”.

Faro recuperou orgulho e futuro
A finalizar, usou da palavra o presidente da Câmara
Municipal de Faro, Rogério Bacalhau, que teceu primeiramente elogios aos
funcionários da autarquia distinguidos na Sessão Solene, bem como aos farenses
que têm ajudado ao desenvolvimento e projeção do concelho além-fronteiras.
Depois, lembrou que Faro já não é um doente severo como sucedia há alguns anos.
“Já não temos problemas que pareciam insanáveis em matéria financeira e
orçamental. Recuperamos a boa imagem do município, mostrando que era possível
cortar mais de 40 por cento da dívida total e, ao mesmo tempo, ganhar
eficiência operacional. Naturalmente que os indicadores vitais de Faro radicam
no esforço individual e coletivo dos seus habitantes, seja no mundo dos
negócios e do trabalho, ou no plano educativo, cultural, desportivo e social”,
salientou o edil.
Rogério Bacalhau destacou as melhorias verificadas nos
espaços públicos e no parque escolar do concelho e chamou a atenção para a
maior dinâmica da baixa e do centro histórico de Faro. “As ações de regeneração
urbana estão a cumprir a sua missão de alavanca da economia e do comércio local
e o mesmo se passa com os eventos, como o «Alameda Beer Fest», o «Baixa Street
Fest» ou o Festival F, que trouxeram para os farenses um indisfarçável orgulho
por saberem que, afinal, o concelho também é capaz de ter animação de qualidade
e de rivalizar com o que de melhor se faz em Portugal”, sublinhou, virando
depois a atenção para a requalificação da rede de estradas do concelho. “Onde
se viam buracos já se podem ver hoje caminhos asfaltados, estradas reparadas e
avenidas sinalizadas. Fizemos o maior investimento em mais de uma década em
betuminoso e aumentamos a rede local, enquanto a variante a Faro ia já
afirmando a importância transcendental que justificou todas as exigências e
demandas para que este dossier fosse finalmente desbloqueado”.

Rogério Bacalhau lamentou, por isso, que Faro esteja a
crescer a duas velocidades, com um desenvolvimento assinalável no casco urbano,
e um litoral abandonado e a degradar-se. “Os farenses exigem, e com razão, que
a DOCAPESCA atua já, independentemente da configuração de projetos futuros.
Exigem ainda à Ministra do Mar e à Administração dos Portos de Sines e do
Algarve que não deixem o porto comercial de Faro morrer e que ouçam as ideias
que temos a esse respeito. Exigem igualmente ao governo que efetive a nova
ponte para a Praia de Faro e que avance de uma vez por todas com o processo de
realojamento dos pescadores e da definição do estatuto do núcleo da Culatra”,
disparou, entendendo que gerir o litoral não se resume a demolir e proibir. “É
criar condições para que o mar e a ria sejam uma mais-valia para o território e
para as comunidades que devem servir. A nossa capacidade de crescer colocou-nos
no mapa. A nossa especialização no turismo, cultura e ciência está a
fortalecer. Saibamos todos nós valorizar as nossas potencialidades e dar o
devido valor a Faro e aos farenses, aos que cá nasceram e aos que cá vivem”,
concluiu Rogério Bacalhau.

Leia a reportagem completa em:
https://issuu.com/danielpina1975/docs/algarve_informativo__74
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