“Está no meu ADN olhar para o mundo onde vivo e registar esses momentos em fotografias”, explica Vasco Célio


Vasco Célio é um dos mais reputados fotógrafos da atualidade nacional, especializado nas áreas do turismo e lifestyle, a par das exposições de autor, onde partilha o seu olhar sobre aquilo que o rodeia. Loulé é a casa-mãe, onde está sedeado o estúdio Stills, mas o dia-a-dia é passado um pouco por todo o país, mas também por Angola e Moçambique, onde é peça-chave em importantes revistas de economia e turismo.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Vasco Célio

Aos 41 anos, Vasco Célio é, sem dúvida, um dos mais talentosos e requisitados fotógrafos da sua geração, com os primeiros passos a serem dados no fotojornalismo, mas evoluindo rapidamente para outras áreas de interesse, nomeadamente o lifestyle, turismo, viagens, economia e gastronomia. Uma caminhada bem-sucedida que gerou, em 2013, uma daquelas oportunidades que se devem agarrar num ápice, sem pensar muito tempo, antes que elas desapareçam, e que o leva a passar algumas temporadas em Angola e Moçambique. “Um empresário angolano, o Nuno Fernandes, conheceu o meu trabalho e desafiou-me para colaborar numa revista nova que ia lançar sobre viagens e lifestyle – Rota e Sabores – um segmento onde a Stills está bem confortável dado o nosso trajeto no Algarve. Contudo, quando cheguei a Angola, deparei-me com umas necessidades muito maiores do que estava à espera na área da fotografia”, relata Vasco Célio.
Confrontado com essa carência, houve que dar formação e reestruturar a equipa de fotógrafos do grupo editorial e para isso muito contribuiu a experiência da própria Stills nas vertentes de edição e arquivo. “O nosso valor acrescentado é o facto de termos um grande arquivo fotográfico, essencialmente do Algarve, mas de muitas outras temáticas, e estamos em vias de criar um banco de imagens online. Claro que ninguém fica rico com isto e recorremos a alguns fundos europeus para fazermos essa transposição do papel, slide e negativos para o formato digital, mas temos uma parceria bastante próxima com estas revistas de Angola e Moçambique, que são revistas premium, de grande referência”, explica o entrevistado.
Uma parceria à distância que só é possível na era digital, confirma Vasco Célio, que só recentemente abandonou por completo a fotografia analógica. Contudo, a raiz de tudo continua a ser a gravação de fotografia por via da luz, antigamente através dos sais de prata numa película fotossensível, e nem sempre é fácil transmitir essas noções a quem já cresceu na era digital. “Controlávamos como a impressão era feita, como é que ia ser revelada a fotografia, a escolha do tipo de filme, pensávamos em tudo. Agora, carrega-se num botão, olha-se para o visor na traseira da máquina, espreita-se a fotografia e acha-se que está bom ou mau, há um acesso imediato ao resultado final”, observa.
Um acesso às novas ferramentas de captura de imagem que é ainda mais fácil quando falamos nos telemóveis de última geração e as suas potentes máquinas fotográficas e softwares de edição, mas Vasco Célio nada tem contra eles. “Tenho amigos que querem promover os seus produtos e serviços nas redes sociais e nos sítios de internet e não podem andar com um fotógrafo constantemente atrás deles. Ao invés de adquirirem uma máquina, digo-lhes sempre para comprarem um bom telemóvel e para aprenderem a lidar com as suas aplicações. Quando precisarem de um produto com mais qualidade, então, sim, contratem um fotógrafo”, aponta, e é nesse segmento que a Stills se posicionou, na fotografia de elevada qualidade para empresas de topo. “Há 20 anos, provavelmente estava eu e mais quatro ou cinco fotógrafos no mercado, hoje, somos nós e mais 30 ou 40 fotógrafos e a qualidade da concorrência é bastante superior. A nossa luta é estar num patamar superior e, para isso, temos um pacote tecnológico único no país, com conhecimentos e tecnologias de ponta”, reforça Vasco Célio.  
Neste cenário, o Algarve continua a representar uma fatia importante para o volume de negócios da Stills, mas deixou de ser o local que garante a sustentabilidade económica do estúdio, devido à reduzida dimensão e capacidade financeira do mercado. “Vou fazer um trabalho, com 30, 40 ou 50 mil euros de equipamento às costas. No estúdio tenho mais uns milhares de euros em equipamento de pós-produção digital e dois técnicos altamente especializados para garantir que o produto sai daqui nas melhores condições possíveis. Óbvio que não posso levar 200 euros por este género de serviço, nem quero, o que nos obriga a procurar clientes noutras zonas do país ou noutras partes do globo”, justifica.