Eliseu Correia festejou 30 anos de carreira


O Hilton de Vilamoura recebeu, no dia 17 de março, a mega festa dos 30 anos de carreira de Eliseu Correia e a fina nata do turismo algarvio reuniu-se para dar os parabéns ao fundador da EC Travel. Uma noite de gala onde a boa-disposição, a amizade e a informalidade foram notas dominantes e que foi abrilhantada pelas atuações de Camané, Pete Tha Zouk, Fernando Leal e, claro está, dos Bubba Brothers.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

O conhecido empresário e filantropo Eliseu Correia assinalou, no passado dia 17 de março, três décadas de carreira, 30 anos de ligação ao turismo, primeiro como animador cultural e desportivo em unidades hoteleiras, depois como comercial em rent-a-cars, antes de se mudar para o ramo das agências de viagem e de criar a EC Travel, considerada, no ano passado, como a melhor PME do setor dos serviços pela prestigiada revista Exame. Animador porque começou por baixo, como tantos outros, não nasceu num berço de ouro que lhe permitisse ir logo para chefe disto ou diretor daquilo. Tirou o 12.º ano e, como não havia, na época, grandes alternativas em termos de futuro profissional, apontou a mira ao turismo. “Praticamente desde os 15 anos que era financeiramente independente e, mal acabei o liceu, decidi concorrer para os hotéis. Ainda sou do tempo em que se escrevia os currículos à mão, porque à máquina era foleiro, um sinal de desrespeito para com os potenciais empregadores. Devo ter enviado umas 40 ou 50 candidaturas, por correio, manuscritas, a responder aos anúncios que saiam no Correia da Manhã”, recorda o entrevistado, no seu escritório em Olhão.
Sem um destino perfeitamente definido, o objetivo era entrar para um cargo que lhe permitisse crescer, como homem e como profissional, nada de trabalhar seis meses durante o Verão e passar o resto do ano em casa, a receber o subsídio de desemprego, ou a viver do que ganhara na labuta. Das dezenas de candidaturas recebeu apenas duas respostas, numa espera angustiante junto à caixa do correio, todos os dias a perguntar ao carteiro se trazia algo para si. “Na primeira entrevista disseram-me que tinha um perfil fabuloso, falava inglês e alemão, mas depois perguntaram-me o que é que eu sabia fazer. Só tinha trabalhado como empregado de mesa em restaurantes de praia ou no Montenegro, durante as férias da escola, para ganhar algum, portanto, os meus conhecimentos não eram muitos. Fui logo despachado”, lembra, com um sorriso.
A segunda entrevista correu melhor, no Alfa Mar, com um alemão de poucas conversas mas que achou piada ao facto de Eliseu ter nascido na sua terra-natal, em Hamburgo. “Queria que eu fosse trabalhar para o bar, mas eu pretendia algo diferente, onde pudesse evoluir para outras funções. O homem olhou para mim, a pensar ‘este indivíduo não tem onde cair morto e é esquisito’, mas teve pena de mim e mandou-me para as relações públicas”, conta Eliseu Correia. A experiência, contudo, foi curta e, volvidos alguns meses, rumou ao Atlantis de Vilamoura, atualmente Crown Plaza. Mais alguns meses e novo destino, o Quinta Nova Alvor Ténis Club, como chefe de animação e desportos. “Solteiro, roupa lavada, apartamento, comida, e levar 70 contos para casa, em 1988, era para mim um luxo”.
Tudo estava bem encaminhado até que recebeu a notícia, em maio de 1989, de que tinha que se apresentar para cumprir o serviço militar obrigatório, quatro meses e meio na Escola Prática de Administração Militar, no Lumiar, em Lisboa, de onde saiu como furriel, seguindo-se um ano na Madeira. “Sem desprimor para quem segue a carreira militar, quando cheguei a Lisboa, beijei o chão, parecia o Papa. Tudo o que tenha a ver com impor-me vontades é contra o meu ADN”, justifica, antes de prosseguir com a sua história. O próximo capítulo é passado no Vilamoura Marinotel, mas esse ano, 1990, é sobretudo marcado pelo seu casamento. Entretanto, começam os zunzuns de que ia nascer um Sheraton no Algarve e Eliseu Correia é um dos eleitos para abrir o empreendimento de luxo. As coisas, todavia, não correram como previsto, recorda. “Basicamente estive de férias, porque ainda não havia hotel construído. Passei um mau bocado, porque não nasci para ser pago e não fazer nada. Claro que, para muita gente, aquilo foi ouro sobre azul, porque a situação lhes permitia fazer uns serviços por fora”, explica.