Deni Vargues: Um contabilista à conquista do Everest


Enquanto milhares de colegas andam de volta do cálculo do IRS, IVA, Segurança Social, Retenção na Fonte e afins, Deni Vargues vai concretizar um sonho de infância, a escalada do Monte Everest. Praticante de caminhadas há muitos anos, o contabilista tem passado os últimos meses numa intensa preparação para um dos maiores desafios de qualquer apaixonado pela natureza e por desportos de aventura, numa expedição onde terá por guia o consagrado alpinista João Garcia.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

A caminho dos 44 anos, Deni Varques nasceu na Austrália, mas veio para Portugal logo aos sete anos, tendo-se fixado, primeiro em Benafim, depois em Loulé, e é desta cidade que vai todos os dias para a Quinta do Lago, a correr ou de bicicleta, para exercer a sua profissão de contabilista no Ria Park Hotel. As caminhadas de autonomia são uma paixão antiga, aliás, tinha acabado de passar um fim-de-semana a percorrer a Serra de Monchique, mais uma etapa da preparação para a escalada do Monte Everest, sonho que começou a ganhar contornos mais firmes há três ou quatro anos. “Era para ir sozinho, mas a ideia não agradava muito à minha família, com medo que me acontecesse alguma coisa e eu ficasse perdido no meio do nada. Entrei então em contato com malta de Lisboa e formou-se um grupo para atacar o Everest, queremos ir até aos cinco mil e 600 metros”, conta Deni Vargues.
A partida está marcada já para dia 19 de abril, numa aventura que contempla 14 dias de caminhada, mais cinco dias passados em viagens de avião, de Lisboa para Londres, Deli e Katmandu. “O meu principal receio é a «doença da montanha», por causa das dificuldades que há para respirar àquela altitude, daí ter começado a treinar com uma máscara de oxigénio há três ou quatro meses. É um problema que acontece com alguma regularidade em grupos organizados, porque há um objetivo definido para alcançar em cada dia de escalada e, às vezes, uma pessoa não quer ficar para trás e ultrapassa os seus limites. Os sintomas são dores de cabeça e má disposição e, como ninguém gosta de dar parte fraca, ignora os avisos do corpo”, explica o entrevistado.
Com o movimento a aumentar bastante na região algarvia, ainda mais em altura da Páscoa, Deni Vargues enaltece a compreensão e apoio dos seus superiores e colegas do Ria Park Hotel, revelando que estas expedições só se podem realizar nesta altura do ano ou, mais tarde, entre outubro e dezembro, por serem meses onde as temperaturas não são tão baixas (de três a 25º negativos) e por as condições climatéricas serem mais estáveis. A acompanhar o grupo não poderiam ter um guia mais experiente, nada mais, nada menos, que o conceituado alpinista João Garcia. “Sou o único algarvio do grupo e não sei se o resto do pessoal tem alguma experiência ou se também se vão estrear no Everest. O João enviou-me uma lista com o material para levar e conselhos para me ir preparando”, indica.
Material que, como se adivinha, tem que ser criteriosamente selecionado, não só pelas restrições de peso que pode levar nos aviões até Katmandu (23 quilos no porão e mais cinco junto ao assento), que depois baixa para os 15 quilos na última etapa por ar, por se tratar de um avião mais pequeno, mas também pelo próprio peso que cada um pode carregar às costas. “Só podemos levar três ou quatro quilos e o sherpa transporta, no máximo, 10 quilos, porque está mais habituado àquela altitude. O essencial é a roupa, porque começamos com menos peças vestidas e, à medida que vamos subindo, vamos acrescentando mais camadas de vestuário. No regresso é o processo inverso”, refere. “A alimentação vai ser à base de vegetais e arroz e vamos pernoitar nas cabanas que se encontram ao longo do percurso, umas com melhores condições do que outras”.

Leia a entrevista completa em:
https://issuu.com/danielpina1975/docs/algarve_informativo__102