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Os melhores do mundo, afinal, não são Ronaldo ou Messi



Já se tornou habitual os espetáculos dos Commedia a la Carte no Algarve esgotarem a lotação dos equipamentos culturais onde se realizam e bastaram dois dias para voarem todos os bilhetes das duas sessões que tiveram lugar, no Teatro das Figuras, em Faro, a 20 e 21 de abril. O cartaz anunciava o novo produto do trio constituído pelos conhecidos César Mourão e Carlos M. Cunha e pelo convidado Gustavo Miranda, rotulado do melhor improvisador colombiano do Mundo.

O espetáculo vinha apelidado de «Os Melhores do Mundo» e com direito a busto e tudo, não de Cristiano Ronaldo, Leonel Messi e de mais um qualquer, mas de César Mourão, Carlos M. Cunha e Gustavo Miranda. A promessa era de que, durante os melhores meses do ano, mais concretamente abril e maio, a melhor tour do Mundo iria pisar os melhores palcos de Portugal e nessa tournée estava incluído o Teatro das Figuras. A que era considerada a melhor sinopse do mundo terminava, contudo, com um alerta à navegação: “o espetáculo, esse, é fraquinho!”.

Pura mentira, porque «Os Melhores do Mundo» é do mais hilariante que tem passado pelos palcos algarvios nos últimos anos, uma barrigada de riso do princípio ao fim, com gargalhadas partilhadas pela assistência, mas pelos próprios comediantes, que muitas vezes não se conseguiam controlar com os imprevistos do humor improvisado. E a fórmula até é simples: três atores em palco, acompanhados por três músicos – Guilherme Marinho (Guitarrista), Jaume Pradas (Baterista) e Nuno Oliveira (Baixista) – com um alinhamento mais ou menos esquematizado mas onde o conteúdo é ditado no momento pelo público.

É o público que sugere a melhor profissão do mundo para ser retratada de improviso, é o público que escolhe o local onde decorre outro sketch, é o público que define o nome das personagens de outro número e é um casal do público que, de repente, tem que contar pormenores mais ou menos íntimos de como se conheceram, de onde aconteceu o primeiro beijo e por aí adiante, para depois o trio transformar essas revelações numa fantástica história à laia de musical. Por isso, uma dica para futuros espetáculos: não convém ficar logo nas primeiras filas porque se arrisca a ir parar ao meio do palco para assumir um papel de destaque em «Os Melhores do Mundo».

No centro das atenções está o frenético César Mourão, é por ele que tudo passa, é ele que dita o ritmo do espetáculo, não para sossegado no palco. Carlos M. Cunha, por seu lado, está sempre atento ao que se passa na assistência, ao que o público responde, comenta e sugere. E, por isso, em todo o espetáculo de Faro são mandadas piadas a um inglês que, afinal, é natural de Coimbra. Ou ao arquiteto que é muito paciente, mas que quer tudo para ontem. Ou seja, convém pensarmos duas, três ou quatro vezes antes de abrirmos a boca, porque o «velho», como César Mourão lhe chama, não deixa escapar uma.

Se César Mourão e Carlos M. Cunha já são sobejamente conhecidos do público português, a grande surpresa do novo espetáculo dos Commedia a La Carte é Gustavo Miranda, verdadeiramente fantástico no que toca às expressões faciais, à mímica, à arte do improviso. Com a particularidade de algumas palavras que surgem no meio de tanto improviso não significarem o mesmo em colombiano do que em português, o que gera novas gargalhadas. Basta imaginar um colombiano que não domina bem o português a fazer a tradução para linguagem gestual de uma entrevista a um homem cuja profissão é palitar os dentes, dele e de outras pessoas. Aliás, o melhor é não tentar imaginar, mas ir ver, ao vivo – de preferência não nas primeiras filas – a «Os Melhores do Mundo». Vale bem o preço do bilhete, acredite.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

Leia a reportagem completa em:
https://issuu.com/danielpina1975/docs/algarve_informativo__153

Os melhores do mundo, afinal, não são Ronaldo ou Messi Os melhores do mundo, afinal, não são Ronaldo ou Messi Reviewed by Daniel Pina on abril 28, 2018 Rating: 5

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