A Galeria Manuela Vale, na Escola de Artes Mestre Fernando Rodrigues, em Lagoa, recebe a Exposição de Arte Multimédia «SOFTSPACE», de Carlos Miguel Gonçalves, de 2 a 31 de maio. O objetivo da mostra é divulgar os primeiros resultados da sua investigação em curso no doutoramento em Belas-Artes, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.


A problemática da presente investigação estuda o modo como a incorporação da cibernética na urbanidade (Henri Lefebvre) subverte a ordem dos espaços (público/privado) na Web 2.0 (O'Reilly Media). Na Galeria Manuela Vale, da Escola de Artes Mestre Fernando Rodrigues, mostram-se os desenhos, os vídeos, as pinturas e as esculturas que dali tem resultado. As peças apresentadas, propõem uma reflexão sobre o acesso ao espaço público (Daniel Inerrarity) através da imaginação geográfica que recentra uma consciência estratégica da espacialidade (Edward Soja), confrontando o corpo humano com a sua infinita necessidade de viver e com a sua finita abissalidade.

Um corpo de trabalho que incide sobre o lugar digital, Softspace (Lally & Young), espaço intermediário entre o utilizador e o edifício Internet, assente na relação da invisibilidade com a visibilidade total. Uma relação com raízes no mito greco-romano da morte de Medusa pelo escudo de bronze de Perseu (Ovídio), que encontra significado na lógica nietzschiana que estabelece as imagens como escudo protetor contra o abissal. “Com efeito, permite-nos explorar o modo como a criação artística é partilhada, consumida e percebida a partir da Web 2.0, procurando compreender o impacto destas dinâmicas no acesso ao espaço público a partir da Internet: acesso ao conhecimento e formação de uma cultura visual contemporânea”, explica.

Como artista multimédia, professor do ensino secundário e investigador colaborador, o percurso profissional e criativo de Carlos Miguel Gonçalves é definido pela interseção entre diversas formas de arte e tecnologia. “Através da criação multimédia, interesso-me em cruzar o desenho, o vídeo, a fotografia e o áudio em ambientes digitais, explorando as vastas possibilidades que os diversos meios oferecem para a expressão artística e para a materialização da vida nos movimentos, gestos e objetos informatizados do quotidiano. A minha motivação e curiosidade intelectual conduzem-me ao estudo aprofundado do espaço público na Internet, onde investigo temas como a vulgarização, a massificação, a divulgação e a arte enquanto processo de ação. Esta área de interesse filosófico permite-me explorar como a criação artística é partilhada, consumida e percebida no espaço digital, procurando compreender o impacto destas dinâmicas no acesso ao conhecimento e na formação de uma cultura visual contemporânea através do acesso ao espaço público a partir da Internet”, refere.

Outro foco central do seu trabalho é a análise da fronteira efémera entre o privado e o público, especialmente no contexto da Internet dentro do fenómeno da globalização. Através deste ponto crítico, examina como as obras de arte navegam e refletem aquele lugar digital (Softspace), questionando e expandindo a compreensão do desaparecimento do objeto de arte, do corpo do artista, da perceção do espaço físico/digital e da arte contemporânea num mundo cada vez mais interconectado. No âmbito pedagógico, dedica-se, por paixão, a nutrir a próxima geração de artistas e pensadores, guiando-os através dos desafios e oportunidades apresentados pela convergência de tecnologia, sociedade e a arte. “Através de um método de ensino que valoriza a experimentação, a crítica construtiva e a liberdade criativa, procuro instigar os meus alunos a desenvolver as suas próprias linguagens artísticas, enquanto os encorajo a refletir criticamente sobre o seu papel enquanto criadores e produtores de um novo espaço público digital”, indica.

Como investigador, o objetivo de Carlos Miguel Gonçalves é contribuir significativamente para o diálogo em torno da arte contemporânea e do espaço público digitais e da intersecção entre o privado e o público na era da globalização. “Por via do meu trabalho, aspiro a desafiar conceitos estabelecidos, promover uma compreensão mais profunda das mudanças culturais e tecnológicas e inspirar outros a explorar as fronteiras do que é possível na intersecção entre arte, tecnologia e civilização”, declara.

A Exposição de Artes Multimédia «SOFTSPACE» poderá ser visitada, gratuitamente, de segunda-feira a sexta-feira, das 9h30 às 12h e/ou das 14h30 às 17h.