Arrancou, no dia 8 de agosto, a empreitada do Mercado Municipal de Quarteira, o maior investimento realizado pelo Município de Loulé, no valor de 20,5 milhões de euros, custeado exclusivamente com dinheiros públicos.
Se a cidade de Loulé tem um dos mais icónicos mercados do país, com uma arquitetura neoárabe que atrai anualmente milhares de visitantes, o Mercado de Quarteira pretende ser igualmente um edifício emblemático, com uma arquitetura contemporânea marcante. “Vai ser uma peça arquitetónica muito bonita e que vos vai encher o coração de alegria. Poderão vir fazer as vossas compras, encontrar os vendedores que conheceram a vida toda, os pescadores vão andar por aqui, a juventude vai ter aqui espaços de exposição para mostrar a sua criatividade, além deste ser um espaço com condições de higiene, condições para entrar e sair sem grandes obstáculos”, disse Vítor Aleixo na cerimónia de assinatura de auto de consignação da obra.
Com uma área de implantação de 16 mil metros quadrados, o projeto tem “soluções construtivas bastante arrojadas, essencialmente na área de contenção”, já que existirão dois pisos abaixo do solo dada a proximidade do mar, como explicou José Joaquim Silva, da empresa Ferreira – Construção S.A.. Este foi, de resto, um dos primeiros projetos de uma obra pública em Portugal a ter em conta as alterações climáticas, tendo sido levado a cabo um estudo sobre a subida do nível do mar para os próximos 100 anos, da autoria do especialista Carlos Antunes. Quando o projeto estava já fechado foi necessário proceder a algumas alterações – subida da quota da soleira, introdução de comportas e distribuição dos lugares de estacionamento em dois pisos – “o que levou a uma técnica construtiva muito especial e cara”, notou Vítor Aleixo.
O Mercado irá desenvolver-se em dois pisos enterrados abaixo do solo, dois pisos acima do solo, cobertura em madeira e paredes moldadas em contenção, contando com um parque de estacionamento com 269 lugares, 48 bancas de fruta, legumes e peixe, um foodcourt com 10 módulos de restauração, 14 lojas e quiosques, espaço para eventos, escritórios, área de coworking e espaço de estadia. Pedro Campos Costa, arquiteto e autor do projeto para a requalificação da zona costeira entre Quarteira e Vilamoura, disse que, mais do que um edifício, esta obra corresponde à criação de “um grande espaço público”, à semelhança da longa tradição dos mercados. “Será um espaço de encontro que fará também a ligação entre a cidade de Quarteira e Vilamoura, dois locais com uma sinergia muito grande”, explicou.
Apesar dos 1.275 dias previstos (perto de três anos e meio) para a execução da obra, Vítor Aleixo disse que a expectativa é “fazer este Mercado com qualidade e cumprindo os prazos”. No entanto, alerta para eventuais incómodos causados durante este período, mas “no final valerá a pena”. Por seu turno Telmo Pinto, presidente da Junta de Freguesia de Quarteira, o principal interlocutor com a equipa projetista, disse que ao longo de todo esses anos a construção do Mercado foi uma espécie “de mito urbano”, mas que a partir de agora será bem real. “É bom chegarmos aqui e percebermos que vamos ter aquele edifício que sempre ambicionámos ter. Quarteira é uma referência no pescado, mas as condições que existem atualmente não dignificam, nem mostram realmente o que temos e o que representamos para toda a comunidade e para todo o país. Os projetos públicos muitas vezes têm que olhar para a sua qualidade para nos diferenciar”, considerou o responsável quarteirense.
Nesta fase inicial, a intervenção passará pela demolição de algumas casas antigas que se encontram em ruínas, onde será construído o parque de estacionamento. Depois será erguido o edifício na zona onde atualmente se encontram as arenas para a prática de voleibol, que, entretanto, serão relocalizadas para o Passeio das Dunas. Numa última fase será requalificado o Largo das Cortes Reais, onde atualmente se encontra o Mercado.
Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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