A cidade de Faro voltou a acolher, de 6 a 9 de novembro, o MOMI – Festival Internacional de Teatro Físico – Algarve 2025, certame da responsabilidade do JAT – Janela Aberta Teatro de Miguel Martins Pessoa e Diana Bernedo que se tem vindo a afirmar como um dos mais relevantes palcos para a criação contemporânea em Portugal.

No dia 8, mais uma lotação esgotada no Teatro Lethes para assistir ao Peripécia Teatro, uma cooperativa cultural sem fins lucrativos, fundada em 2004 e sediada na aldeia de Coêdo, em Vila Real, que assume a arte como espaço de encontro e transformação social, desenvolvendo criações originais com base na interpretação e circulação por contextos diversos – da praça pública ao palco internacional. Já apresentou o seu trabalho em Portugal, Espanha, Brasil, França, Cabo Verde e Argentina e, desta feita, trouxe até à capital algarvia «Ibéria», uma comédia teatral irreverente, com humor e crítica social, que atravessa mil anos de histórias e estórias entre Portugal e Espanha.

A emblemática criação de José Carlos Garcia assinala os 20 anos da Peripécia Teatro, revisitando o espetáculo que a lançou/catapultou em 2004. Três atores dos dois lados da fronteira (Ángel Fragua, Noelia Dominguez e Sérgio Agostinho) sobem ao palco com música ao vivo (Bruno Mazeda), transformando o espaço cénico num lugar de riso, memória e reflexão. Uma viagem teatral que celebra as afinidades e tensões da Península Ibérica, entre fronteiras, absurdos e cumplicidades, onde a leveza do riso convida à profundidade do pensamento. Teatro de rua e de sala, elevado a arte – com assinatura de um coletivo reconhecido internacionalmente.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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