A Web Summit 2025 transcende um mero evento de tecnologia, é uma celebração do futuro que assinala uma década de sucesso em Portugal.
Ao reunir mentes brilhantes de todo o mundo, converte-se num palco vibrante onde ideias revolucionárias ganham forma, movidas por uma contagiante energia empreendedora. A edição deste ano não só espelha as tendências globais, como inspira novas formas de pensar e criar, consolidando o papel central da tecnologia na construção do futuro.
É sempre muito motivante participar na Web Summit. É uma experiência única, carregada de energia empreendedora, especialmente para quem, como eu, trabalha na área das startups, do empreendedorismo e do digital. Continua a ser a maior conferência de tecnologia e inovação do mundo e, na minha opinião, também uma das mais bem organizadas.
A edição de 2025 da Web Summit em Lisboa voltou a transformar a cidade no grande palco mundial da inovação tecnológica, reunindo um recorde de 71 mil e 386 participantes de 157 países, incluindo 1.857 investidores de 86 nações (um aumento de 74 por cento face ao ano anterior) e 2 mil e 725 startups de 108 países, com forte ênfase na inteligência artificial e na ambição de Portugal se posicionar como potência global em IA.
Um dos grandes momentos deste ano, na minha opinião, foi o anúncio de que Portugal acaba de conquistar um lugar de ainda maior relevo no panorama tecnológico mundial. A Microsoft confirmou um investimento histórico, superior a 10 mil milhões de dólares, na criação de uma infraestrutura de inteligência artificial em Sines, reforçando o papel do país como um dos principais polos europeus da próxima geração de inovação digital.
A Inteligência Artificial voltou a ser o grande destaque, mostrando que deixou de ser apenas uma promessa de futuro, para se afirmar como uma ferramenta prática e omnipresente, marcando a transição para a era da «IA Agêntica» (sistemas de IA que atuam de forma autónoma, mas dentro de limites previamente definidos).
O evento destacou como a tecnologia está a evoluir de assistentes passivos para agentes autónomos capazes de antecipar necessidades e tomar decisões em tempo real, uma mudança que promete revolucionar a interação entre humanos e máquinas.
Para além da inovação técnica, o debate central focou-se na responsabilidade e na adoção humana. Figuras como Brad Smith, da Microsoft, alertaram que o verdadeiro diferencial não estará apenas na infraestrutura, mas na rapidez e ética com que sociedades e empresas integram estas ferramentas, sublinhando a urgência de combater a exclusão digital. Setores industriais também ganharam protagonismo, demonstrando como a fusão entre gémeos digitais e IA está a transformar radicalmente a produção global, consolidando a ideia de que a tecnologia entrou numa fase de maturidade e aplicação real.
A vencedora do pitch deste ano voltou a ser uma startup portuguesa, a Granter, apoiada pela Fábrica de Unicórnios de Lisboa. A empresa conquistou o Pitch da Web Summit 2025 com uma solução de IA que simplifica o acesso ao financiamento público e às candidaturas a fundos europeus. Fundada em 2023, apresenta-se como o primeiro agente de IA focado em financiamento público a nível mundial, já tendo apoiado a submissão de mais de 20 milhões de euros em candidaturas e contando com clientes de referência como a Marinha Portuguesa, a SONAE, o Grupo Fidelidade e a Fundação Champalimaud. A startup levantou recentemente 400 mil euros e pretende captar 1,5 milhões de euros até ao final do ano, reforçando a ambição de acelerar a expansão internacional.
Mais do que um evento, a Web Summit é uma vibrante comunidade global de empreendedores. Aqui, o networking, o debate e a partilha de conhecimento fluem naturalmente, cruzando todas as áreas onde o digital já é indispensável.
Fábio Jesuíno é empresário
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