A Câmara Municipal de Tavira arranca 2026 com um orçamento de aproximadamente 61,5 milhões de euros e nas prioridades incluem-se a construção de habitação social, a reabilitação de escolas e melhorias na saúde e no parque desportivo. A falta de financiamento do governo gera, porém, incertezas e implica à procura de parcerias com o setor privado, ao passo que o ordenamento do território complica o desenvolvimento do setor primário.


Ana Paula Martins foi eleita para mais um mandato como Presidente do Município de Tavira, com maioria no executivo camarário, mas não no que toca à Assembleia Municipal e ao conjunto de Juntas de Freguesia. Um cenário onde será necessário, por isso, encontrar consensos para concretizar as obras, projetos e medidas que constam do Orçamento para 2026 e que ronda os 61,5 milhões de euros, montante ao qual se deverá juntar o saldo de gerência que andará à volta dos 19 ou 20 milhões de euros. “Será um orçamento global entre os 75 e os 80 milhões de euros, superior ao de 2025, muito por força também das obras que temos no terreno e de outras que estão para começar, desde logo a Unidade de Consultas Externas, um investimento de 10 milhões de euros na área da saúde. Está já também consignada a obra para 24 casas de habitação social e mais 24 para assinatura de contrato, a que se soma uma série de pavimentações de estradas fora da cidade”, começa por dizer Ana Paula Martins. A edil destaca igualmente uma nova instalação desportiva em Santa Luzia que permitirá a prática de atletismo, assim como as obras da Extensão de Saúde de Cabanas e da Escola Primária de Santa Catarina, mas um problema que se coloca à grande maioria dos autarcas, e Tavira não é exceção, são os concursos de empreitadas que ficam desertos. Saúde e Educação foram duas das competências transferidas do poder central para o poder local, com diversas obras de requalificação, ampliação e, inclusive, construção de novos equipamentos, a acontecerem à custa dos orçamentos municipais, reconhece Ana Paula Martins “Nós temos financiamento do PRR para duas destas obras, tanto a de Cabanas como a da Unidade de Consultas Externas, mas não na totalidade. Na Unidade de Consultas Externas, por exemplo, só recebemos 4 milhões de euros, ou seja, a Câmara Municipal está a colocar 6 milhões de euros. Na Extensão de Saúde de Cabanas, a comparticipação da autarquia é de cerca de 200 mil euros… e isto se estiver tudo pronto até agosto, o que será muito difícil. Se não estiver pronto, corremos o risco do PRR retirar o financiamento, e aí será tudo custeado a 100 por cento pela autarquia”, frisa a entrevistada.

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Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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