Vivo numa ilha, rodeado de gelo. Tenho uma cultura própria, que defendo. Fomos perseguidos por causa da nossa cultura. Agora, de repente, estamos rodeados também por adversários e inimigos. Ou, por antigos amigos que se tornaram adversários, que poderão passar a ser invasores por causa de outros seus e nossos inimigos, também no futuro próximo.

Quem consegue viver assim?

De repente, apenas 55 mil vizinhos (total dos ilhéus) que se bastavam neste clima gélido, habitantes de uma enorme ilha que ninguém se lembrava, passou a estar no meio de interesses de novas rotas marítimas, por causa do degelo das alterações climáticas, de termos recursos geológicos que interessam a todos e até aos nossos amigos a quem antes cedemos bases militares no nosso território que querem fazer todo seu.

Somos todos da NATO e sabíamos em quem confiar em caso de necessidade. Agora isso faz com que tenhamos o inimigo à porta, os que nos circundam e os que nos ameaçam já tomar. Por compra (750 mil milhões de dólares) pelo preço que nos fixaram, ou «por outros meios».

Uma ameaça que paira sobre todos nós.

Os nossos inimigos, que nos circundam, devem estar-se a rir da NATO a implodir nas disputas entre aliados por causa de nós e já nem se lembram do apoio à ameaça a leste.

Os nossos amigos fazem deslocar meios militares para a nossa ilha para nos defender dos inimigos e do aliado que nos ameaça a todos.

Quem consegue viver assim?

A ilha que era o nosso mundo passou a ser o palco do mundo, num teste de nervos, negociações e ameaças entre amigos com os demais todos à espreita.

Mas estão mesmo a negociar-nos (?)

Será o fim das ilhas no mundo, com gelo, sem gelo, desde que tenham recursos que interessem a alguém que se diz mais forte, ou posição estratégica, cultural que interessa a quem tenha mais poder.

Eis o novo mundo.

E o Canadá tão perto. Vivendo o mesmo dilema com quem divide uma ténue fronteira terrestre que as relações íntimas não faziam antever idêntica ameaça.

Mais uma «ilha» que separa os dois gigantes que parecem amigos na divisão «das ilhas», com outro à espreita para também tomar as suas.

Quem consegue viver assim?

Não quero ligar a TV, nem ler os jornais ou ouvir rádios, pois os conflitos de territórios por causa do poder e dos interesses destes amigos/adversários/inimigos deflagram por «todas as ilhas» do mundo.

A nova  , com os seus habitantes a serem martirizados ou expelidos, subjugados, para «outras ilhas».

A divisão de territórios que eram independentes com filhos arrancados às mães e dispersos entre regiões do invasor para assumirem a sua cultura.

Países inteiros, cujos povos vivem na miséria por causa das sanções impostas aos seus regimes que ficam assim ineptos para dirigirem nações, provocando as revoltas, que servem a quem as impôs e a seguir vai salvar, tomando os recursos desses territórios como se fossem seus quintais.

É o nosso futuro?

Quem é nosso amigo/adversário/inimigo?

Quem consegue viver assim?

Afinal, quem decide sobre os nossos recursos, investimentos, dívida futura criada para novas prioridades.

Ao serviço de quem?

Je suis Nuuk.

Todos somos afinal, queiramos ou não, estamos reféns desta loucura que se nos impõe como amiga.

De forma brutal.

Não percamos nós o sentido da responsabilidade, da moderação e não deixemos de decidir sobre o que só nós podemos decidir, ainda.

Temos que viver assim, mas sem ser levados pela loucura.

Sim, uma nova ordem mundial é necessária a esta desordem. Na ONU e, já antes, no poder decisão na nossa velha Europa.

Saibamos assumir o momento. Sim, Portugal tem ativos humanos que lideram o momento e história para poder contribuir.

Paulo Neves, em memória das vítimas, no início de 2026, nos principais conflitos «nesta ilha» do Universo que é a Terra - Rússia-Ucrânia; Israel-Hamas; Sudão; Mianmar; Síria; Iêmen; Etiópia; República Democrática do Congo; África Subsaariana (Nigéria, Mali e Burkina Faso); Ásia: (India e Paquistão); Região do Cáucaso (Azerbaijão e Armênia); Irão; Venezuela…; …. E ainda estamos a meio de janeiro.

Crónica publicada em:

*Capital da Gronelândia (onde vivem a maior parte dos groenlandeses), território autónomo da Dinamarca.