Loulé é o primeiro município a fazer parte do projeto «O Fair-Play joga em casa», iniciativa promovida pela AFA – Associação de Futebol do Algarve que promete ser um exemplo para o país. Nesse sentido foi celebrado, no dia 19 de janeiro, um protocolo entre esta entidade, a Autarquia louletana e clubes do concelho, que assumem o compromisso de promover os princípios e valores do fair-play junto dos atletas e toda a comunidade desportiva.

Tolerância, respeito pelo outro, amizade, responsabilidade, inclusão são pilares fundamentais da prática desportiva, dentro e fora de campo, que se querem agora valorizar. Esta campanha reforça que o futebol, e o desporto em geral, deve ser um espaço seguro, educativo e positivo, onde todos assumem um papel ativo: atletas, dirigentes, treinadores, árbitros, famílias e adeptos. Apesar de ter arrancado em agosto, com uma apresentação em Lisboa que mereceu desde logo rasgados elogios, só agora a AFA avança no terreno, tendo como parceiros os municípios enquanto elos de ligação e «facilitadores» do processo junto dos clubes. Até porque são estes, na maioria dos casos, os proprietários dos recintos desportivos.

No âmbito da campanha, estão previstas ações de sensibilização e de formação junto de atletas, agentes desportivos, associados e encarregados de educação, bem como ações promocionais nos campos/sedes dos clubes e em eventos organizados pela AFA. No início dos treinos de todas as seleções que integram a AFA já está a ser passada a mensagem desta campanha. Por outro lado, pretende-se continuar a promover a atribuição do Cartão Branco, símbolo do fair-play, tanto aos atletas, como a outros intervenientes no jogo, e ao próprio público. A AFA tem sido uma das entidades que mais tem desenvolvido esta iniciativa e só na época transata atribuiu 40 Cartões Brancos.


Roberto Martinez, selecionador nacional de futebol, os jogadores algarvios ao serviço do PSG, João Neves e Gonçalo Ramos, ou o presidente da Liga, Reinaldo Teixeira, são alguns dos rostos de uma campanha em que, pela primeira vez, irão participar todos os selecionadores nacionais da Federação Portuguesa de Futebol. Também os presidentes das classes profissionais como a Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) e o Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) deram a cara por esta campanha. “Hoje, cada vez mais, os valores do fair-play têm sido esquecidos porque a sociedade está cada vez mais competitiva. Os clubes, cada vez mais, querem ganhar, há uma aposta cada vez maior nas vitórias, no subir de divisão, ganhar os campeonatos, e tem-se esquecido um pouco esta temática que é tão importante. Os valores e os princípios do desporto são vetores fundamentais para que se consigam atingir as vitórias”, afirmou João Pedro Gomes, presidente da AFA. Mas este não é um trabalho que deve ser feito apenas dentro das quatro linhas ou em casa dos atletas. “A casa pode ser o clube, o recinto dos jogos, as bancadas ou até o espaço interior de cada um. Jogar em casa significa transformar qualquer ambiente num lugar de boas práticas, onde a vitória maior é da conduta exemplar”, notou o responsável da instituição.

Refira-se que a AFA integra 11 mil e 200 agentes desportivos, mais de 80 filiados, milhares de sócios, adeptos e famílias, e tem a sua ação numa com 934 mil habitantes. O universo desta associação são quase 11 mil atletas, sendo que perto de 8 mil e 500 pertencem à formação. “Formar não é só ensinar a jogar à bola, não é só a componente técnico-tática, é ensinar o respeito pelo árbitro pelos colegas, pelos treinadores, pela bancada, pelos adeptos. E é formar homens e mulheres do amanhã. Temos essa obrigação quando recebemos os miúdos nos nossos clubes”, salientou João Pedro Gomes. O presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, ele próprio antigo jogador de futebol profissional, está bem consciente do que tem sido a evolução do fair-play (ou a falta dele) ao longo dos anos e, nessa medida, acredita que esta pedagogia deve passar muito pelos clubes. “Podem contar com a Câmara Municipal de Loulé para valorizar este tema. Loulé é mesmo uma referência no desporto e nós queremos que seja uma referência por tudo, não só pela qualidade dos jogadores, pelas condições, pelas equipas, pelas modalidades, mas também pelo fair-play que os nossos atletas demonstram. O mais importante é quem são os homens e mulheres que formamos”, defende o edil.

Assinaram este protocolo de adesão à campanha «O Fair-Play joga em casa», os seguintes clubes do concelho de Loulé: Associação Cultural de Salir, Clube Desportivo da CHECUL, Clube Desportivo e Recreativo Quarteirense, Internacional Clube de Almancil, Juventude Sport Campinense, Louletano Desportos Clube, Quarteira Futsal Clube, Quarteira Sport Clube, Quarteirense Futebol SAD, Sociedade Recreativa Almancilense, Sport Futebol Damaiense – Futebol SAD e Vilamoura Sports Academy Associação. “Este é um projeto que vai ser impactante, vai chegar a todo o lado. A Associação de Futebol do Algarve deu o primeiro passo, mas todas as associações estão a dar passos para esta temática que é transversal a todas as modalidades, a todo o país e a tudo o que é o desporto. Vamos dar essa imagem e passar esta mensagem para o país inteiro”, afirmou o responsável associativo, anunciando que todas as associações distritais de modalidades como Natação, Voleibol, Basquetebol, Andebol, Ténis, Ténis de Mesa ou Badmington irão aliar-se a esta campanha.