Estamos a viver um momento histórico na humanidade, a inteligência artificial (IA) tornou-se uma realidade que molda o presente e redefine o futuro. Nos últimos anos, os avanços neste campo ultrapassaram todas as expectativas, transformando a forma como trabalhamos, aprendemos, criamos e interagimos com o mundo.
Com uma capacidade de processamento e análise de dados sem precedentes, a IA expandiu os limites do possível. Desde a descoberta de novos medicamentos e o desenvolvimento de tecnologias médicas mais precisas, até à criação de obras de arte, música ou textos através de modelos generativos, a IA já está integrada em praticamente todos os aspetos da vida moderna.
A rápida evolução da IA levanta questões profundas sobre o futuro do trabalho. A automação de tarefas está a transformar setores inteiros, substituindo funções repetitivas e administrativas, mas também a criar novas oportunidades em áreas emergentes como a ciência de dados. Países que investem em formação digital e requalificação profissional estão melhor posicionados para tirar partido dessa revolução tecnológica.
Com o crescimento da IA, surgem também desafios éticos. A recolha massiva de dados, pilar fundamental para o funcionamento desses sistemas, levanta preocupações sobre privacidade, vigilância e manipulação de informação. Em resposta, a União Europeia aprovou em 2025 o AI Act, um marco regulatório que visa estabelecer regras claras para o uso responsável e transparente da inteligência artificial.
Outro desafio é a tendenciosidade algorítmica. Quando treinados com dados incompletos, os sistemas de IA tendem a reproduzir e até amplificar desigualdades já existentes na sociedade. Por isso, é essencial incentivar o desenvolvimento de práticas e pesquisas que assegurem a justiça, a transparência e a possibilidade de auditoria nos algoritmos, promovendo um uso realmente ético e responsável da inteligência artificial.
Apesar das preocupações, o potencial positivo da IA é imenso. Na medicina, já permite diagnósticos mais rápidos e precisos, deteção precoce de doenças e desenvolvimento acelerado de novos medicamentos. Na educação, torna o ensino mais personalizado, adaptando o ritmo e o conteúdo às necessidades de cada aluno. E nas questões globais, como a crise climática e a segurança alimentar, a IA é usada para otimizar recursos, prever catástrofes e criar soluções inovadoras e sustentáveis.
Aproveitar os benefícios da IA exige investimento em educação, literacia digital e colaboração entre governos, universidades e setor privado. É essencial garantir que o desenvolvimento tecnológico seja acompanhado por políticas públicas que promovam a inovação responsável, sem deixar ninguém para trás.
A revolução da inteligência artificial não é apenas tecnológica, é também cultural, social e ética. Estamos a construir o futuro em tempo real. Cabe-nos assegurar que essa nova era seja guiada por valores humanos, colocando a inteligência artificial ao serviço do progresso e do bem comum.
Fábio Jesuíno é empresário
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