Nos dias 15, 16 e 17 de fevereiro, o Carnaval de Loulé voltou ao «sambódromo» louletano para três dias de folia no mais antigo corso do País. Este ano, o tema foi o «Super Carnaval», com os mais icónicos super-heróis a integrarem o desfile, em tom de sátira política, social e desportiva. E mais de 70 mil pessoas estiveram na Avenida José da Costa a celebrar esta festa que, apesar da influência do outro lado do Atlântico, tem fortes raízes no concelho de Loulé.
O cortejo contou com 14 carros alegóricos, mais de 600 figurantes, grupos de animação em representação das associações e IPSS do concelho, escolas de samba, gigantones, malabaristas e até um DJ que animou o recinto. O principal «super-herói» desta folia louletana foi o Zé Povinho, com os seus superpoderes para enfrentar o aumento do custo de vida, os problemas no SNS ou a dificuldade em conseguir uma habitação. Com o seu fato verde e vermelho de Super-Homem, o Zé voou bem alto, envergando um guarda-chuva fechado, uma superstição da organização para que a chuva não estrague a festa.
A agenda política nacional esteve presente uma vez mais e as Eleições Presidenciais foram um dos motivos de inspiração para os organizadores. Quando o desfile saiu à rua já se sabia quem era o novo Chefe de Estado português, mas os criativos deste corso quiseram criar um carro ilustrativo dessa corrida a Belém, com um Almirante Henrique Gouveia e Melo vestido de Aquaman ou um Luís Marques Mendes a ser o Nemo desta «história» no fundo do mar.
A Operação Marquês já vai longa e José Sócrates continua a ocupar as primeiras páginas dos jornais e a inundar os tribunais com pedidos de recurso. Num desfile dedicado aos super-heróis, o antigo Primeiro-Ministro foi um dos vilões mais conhecidos de sempre, Joker, o arqui-inimigo de Batman.
O Carnaval de Loulé não tem a tradição de ter um Rei ou Rainha, mas, se tivesse, Cristiano Ronaldo seria com toda a certeza, a cada edição, o Rei do Carnaval de Loulé pela constante presença neste desfile. Por isso, no corso deste ano não faltaram as polémicas que envolveram o «Número 7», desde a receção do Presidente Donald Trump na Casa Branca, com honras de Estado, à habitual convocatória do «Super-Ronaldo», como titular da equipa das Quinas, pelo selecionador Roberto Martínez, mesmo quando a sua forma não era a melhor, mas que contribuiu para Portugal assegurar a presença no Mundial’26.
A sátira desportiva é uma tradição do Carnaval de Loulé e as quezílias do futebol português voltaram a estar em destaque em 2026, pelo que os presidentes dos três grandes foram retratados em modo «super-herói». O verde Hulk com os seus superpoderes era Frederico Varandas, que usa a sua força para defender o Sporting. O Homem Falcão/Águia é Rui Costa, o defensor do reino do Benfica. Ambos lutam contra o dragão André Vilas-Boas, numa alusão à corrida pela conquista do título.
No panorama internacional, a tensão na Venezuela também esteve em Loulé. O bote de Nicolás Maduro carregado de droga é intercetado pelo Capitão América Donald Trump, em águas caribenhas, um carro pensado ao pormenor e em que nem o «passarinho» Hugo Chávez foi esquecido, para sussurrar palavras de conforto ao seu sucessor, agora preso em Nova Iorque.
Perante todos estes motivos, foram, conforme referido, mais de 70 mil os visitantes que deram umas boas gargalhadas e se divertiram neste Carnaval «à grande e à louletana». “Estamos muito felizes por termos alcançado o objetivo que era ter a ajuda do S. Pedro para não estragar a festa. Felizmente, nos três dias de corso, o sol brilhou e conseguimos oferecer um desfile fantástico, cheio de cor e com carros alegóricos executados com muita criatividade. Uma palavra também para o público maravilhoso que ajudou a que esta festa fosse um enorme sucesso”, sublinha José Miguel Monteiro, responsável dos Eventos do Município de Loulé
Por seu turno, Telmo Pinto, presidente da Câmara Municipal de Loulé, refere a importância para a economia local deste e dos outros corsos que acontecem neste concelho, nomeadamente em Alte e Quarteira. “Foram dias muito preenchidos em termos da ocupação hoteleira, da restauração, do comércio em geral, não só devido a quem veio ver os desfiles, mas também participar noutras iniciativas, como o Torneio Internacional de Vela de Carnaval, em Vilamoura. O Carnaval de Loulé é um evento-âncora, com muita tradição, e que nós queremos continuar a potencializar, até porque é fundamental nesta altura do ano”, reforça o autarca.
Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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