A Empresa Municipal de Águas e Resíduos de Portimão (EMARP) recolheu, em 2025, 34 mil e 377 toneladas de resíduos indiferenciados, o equivalente a 72,53 por cento da produção total de resíduos urbanos. O valor representa um aumento de 1.048 toneladas (+3,15 por cento) face a 2024, confirmando a tendência de crescimento dos resíduos enviados para aterro.
No mesmo período, foram recolhidas 795 toneladas de resíduos orgânicos alimentares e 1.082 toneladas de resíduos orgânicos de jardins, encaminhadas para a Central de Valorização Orgânica da ALGAR, empresa responsável pela gestão e transformação desta matéria em fertilizante. O número representa um aumento de 13,6 por cento face a 2024, ano em que foram recolhidas 853 toneladas de resíduos orgânicos alimentares e 800 toneladas de resíduos orgânicos de jardins. Considerando que cerca de 40 por cento dos resíduos depositados no contentor indiferenciado correspondem a restos de comida das famílias, com potencial de valorização, os dados evidenciam uma margem significativa de progressão no que diz respeito à separação dos resíduos orgânicos.
Relativamente à recolha dos fluxos recicláveis, da responsabilidade da ALGAR, os munícipes separaram 2 mil e 204 toneladas de plástico e metal (+3,72 por cento), 2 mil e 785 toneladas de papel/cartão (+3,61 por cento) e 2 mil e 707 toneladas de vidro (-5,38 por cento). Apesar do crescimento na recolha seletiva dos fluxos de plástico e metal e papel/cartão, o aumento dos resíduos indiferenciados é manifestamente superior em termos absolutos.
Mais de 80 por cento dos resíduos urbanos produzidos nos municípios do Algarve continuam a ter como destino final o aterro, com taxas de reciclagem e reutilização abaixo de 15 por cento. O Governo e a ALGAR alertam que a capacidade dos aterros na região pode estar esgotada entre 2026 e 2028, cenário que reforça a urgência de reduzir a deposição em aterro e aumentar a separação na origem.
O país precisava de garantir até 2025 a recolha seletiva de 55 por cento dos resíduos urbanos e 65 por cento das embalagens colocadas no mercado, segundo as metas definidas pela União Europeia. De acordo com a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em 2023 foram separados 32 por cento da totalidade de resíduos urbanos e, em 2024, o país ficou ainda mais aquém da meta exigida. Dados da Sociedade Ponto Verde (SPV) indicam que também a taxa de retoma de reciclagem de embalagens foi de aproximadamente 60,2 por cento no ano passado, abaixo dos 65 por cento pretendidos pela legislação europeia. Portugal surge, assim, em 21.º lugar no ranking da taxa de reciclagem de embalagens da UE.
A partir de 10 de abril, Portugal irá implementar um sistema no qual garrafas de plástico e latas de bebidas até 3 litros passam a ter um valor monetário associado no momento da compra. Ao devolver a embalagem vazia a uma máquina automática ou ponto de recolha autorizado, os portugueses recebem esse valor de volta, criando um incentivo direto ao cidadão e atribuindo valor às embalagens para que não sejam descartadas no lixo comum.
Em 2026, a EMARP reforçará a mensagem sobre a recolha seletiva e valorização de resíduos orgânicos, apostando na ampliação da recolha junto do canal HORECA e das habitações, através da instalação de novos contentores, e na sensibilização da população. O aumento da separação na origem é determinante para reduzir a pressão sobre os aterros, melhorar os indicadores de reciclagem e alinhar o município de Portimão com as metas nacionais e europeias em matéria de sustentabilidade.
