Gastão Elias, aos 35 anos, poderá tornar-se no primeiro bicampeão na história da série de Opens Internacionais de Ténis de Vila Real de Santo António, numa edição de 2026 marcada pela presença do n.º 1 mundial de sub-18, o búlgaro Ivan Ivanov, de 17 anos. Os 7.º e 8.º Opens Internacionais de Ténis de Vila Real de Santo António tiveram a sua cerimónia de abertura e apresentação oficial, no dia 6 de fevereiro, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, uma das entidades coorganizadoras do evento, a par do Clube de Ténis de Vila Real de Santo António e da Federação Portuguesa de Ténis.
O 7.º Open arranca no dia 8 de fevereiro, no Complexo Desportivo de Vila Real de Santo António, com a fase de qualificação, terminando com a final no dia 15. O 8.º Open começa com o «qualifying» nesse mesmo dia 15 e conclui-se com a final a 22. Os dois torneios estão integrados no ITF World Tennis Tour, o calendário profissional da Federação Internacional de Ténis (ITF) e, no caso do setor masculino, inauguram a o calendário nacional da ITF e a série de seis torneios desta categoria realizados no Algarve. Ambas as provas ostentam a categoria de M25 e contam para o ranking mundial do ATP Tour. Cada semana distribui 30 mil dólares em prémios monetários (25 mil euros). Em 2025, o Clube de Ténis de Vila Real de Santo António conseguiu elevar o prize-money de cada torneio de 25 mil para 30 mil dólares e este ano foi possível manter esse montante.
Em 2026, entre quadro principal e fase de qualificação 7.º Open apresenta representantes de 21 países, com destaque para, fora da Europa, haver jogadores de origens tão díspares como Estados Unidos, Japão, Índia, México, Chile e Colômbia. O quadro principal, que deverá começar na segunda-feira, está forte, com três jogadores entre os 300 primeiros do ranking mundial e cinco atletas que já integraram o top-10 do ranking mundial de sub-18, entre eles o atual n.º 1, Ivan Ivanov. O búlgaro, de apenas 17 anos, treina na academia do campeoníssimo Rafa Nadal, em Maiorca, e, no ano passado, conquistou os títulos de juniores de Wimbledon e do Open dos Estados Unidos, para além de ter sido semifinalista em Roland Garros. Vale a pena recordar que, em 2024, o espanhol Martin Landaluce averbou em Vila Real de Santo António o seu primeiro título internacional enquanto profissional, depois de ter vencido o US Open de juniores de 2022, no ano em que foi n.º 1 mundial nesse escalão etário. Ivan Ivanov poderá seguir-lhe os passos.
Claro que os Opens Internacionais de Ténis de Vila Real de Santo António têm-se distinguido, sobretudo, pelo contributo que têm dado ao desenvolvimento do ténis português, graças ao seu registo singular de todos os anos haver, pelo menos, um campeão português: Henrique Rocha em 2023, Jaime Faria em 2024, e, numa situação inédita, dois portugueses em 2025, primeiro Frederico Silva e depois Gastão Elias. Note-se que esses quatro jogadores são habitualmente convocados para a seleção nacional da Taça Davis, aliás, Rocha e Faria estão na China, onde representaram o país na Taça Davis.
Gastão Elias estava em grande forma e tinha vencido o Porto Open pela segunda vez na sua carreira, em finais de julho e início de agosto, quando teve de parar de competir. Regressou aos courts em outubro, foi pai pela primeira vez em dezembro e, agora, aos 35 anos, numa fase completamente diferente da sua vida, poderá relançar a sua brilhante carreira em Vila Real de Santo António, onde foi tão bem-sucedido, vencendo o 6.º Open em fevereiro de 2025. O «Mágico», que já foi top-100 mundial e é o recordista nacional de 10 títulos de challengers ATP, será um dos cabeças de série deste 7.º Open. Também os portugueses Francisco Rocha e Tiago Cação entrarão no quadro principal, mediante a atribuição de wild cards, embora Francisco Rocha, campeão nacional de Clubes, ao serviço da Escola de Ténis da Maia, até possa nem necessitar de convite.
Na apresentação oficial da prova, Álvaro Araújo, o presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António, considerou que “este é um torneio que se enquadra naquilo que é a nossa estratégia de promoção do nosso concelho, de procurar que os nossos jovens se motivem pela prática desportiva e, ao mesmo tempo, atrair grandes atletas”. “Mas, por outro lado, um dos grandes objetivos é, também, que a nossa economia continue a trabalhar na época baixa. Por isso, fomentamos este tipo de iniciativas desportivas”. Patrícia Jerónimo, vice-presidente do município, sublinhou que “o facto de o torneio acontecer na época baixa é um contributo muito significativo para o nosso desenvolvimento e território, economicamente falando”. “Durante 15 dias, há um volume significativo de pessoas que circulam, estão cá, comem cá, e dormem cá, e tudo isso é muito importante. Aos atletas deixo aqui a mensagem de que estão num sítio em que as pessoas acreditam neles e no potencial que têm. Espero que encontrem aqui, no nosso território, um bom local de acolhimento, de respeito, e também de fair play”, acrescentou ainda a responsável pelo pelouro do associativismo desportivo e cultural.
O presidente do Clube de Ténis de Vila Real de Santo António, Vítor Palma, indicou o caminho futuro e salientou que “a Federação Portuguesa de Ténis já olha para nós com olhos de quem quer fazer mais, a quem quer dar capacidade para fazer mais”. “Acreditamos que, num futuro próximo, poderemos dar o salto, porque, neste momento, os torneios já são vistos lá fora com bastante agrado e confiança”, concluiu.
Foto: Nuno Martins
