Junto aos silos agrícolas que durante décadas guardaram colheitas, na paisagem rural de Santa Catarina da Fonte do Bispo, no concelho de Tavira, nasceu o primeiro museu em Portugal inteiramente dedicado à arte digital. O espaço, integrado na Cooperativa Agrícola, projetada pelo mestre da arquitetura moderna algarvia, Manuel Gomes da Costa, preserva a alma industrial e a memória rural. “A ideia foi do nosso mentor, Paulo Teixeira Pinto, que por viver em Santa Catarina percebia bem o potencial daquele magnífico espaço”, explica João Correia Vargues, presidente da Associação Museu Zer0.

O investimento ultrapassa os 4 milhões de euros, com comparticipação do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, através dos programas CRESC Algarve 2020, cuja primeira fase teve uma comparticipação de 1.835.917,30 euros e, na segunda fase, via Algarve 2030, 2.003. 887,03 euros, a que se somou também apoio do Turismo de Portugal.

Lado a lado com agricultores, olivais e pomares, erguem-se salas imersivas, ateliers de investigação, oficinas de produção artística e espaços de incubação para «start-ups» criativas. “Contamos com a comunidade universitária ligada à arte digital, com turistas, claro — haverá uma sala imersiva permanente — e queremos atrair jovens criativos”, refere João Correia Vargues.

Criado pelo Instituto Lusíada de Cultura, o projeto aposta numa rede de ligações transfronteiriças. Fátima Marques Pereira é a Programadora Geral para a Abertura do Museu Zer0.

A localização, longe do litoral, mas perto de tudo, é um trunfo. A cinco minutos da Via do Infante, o museu coloca o interior algarvio no mapa internacional.