A nova produção do Teatro do Eléctrico, «Entraria nesta sala», foi a cena, no Cineteatro Louletano, nos dias 30 e 31 de janeiro, e voltou a demonstrar que o quarteirense Ricardo Neves-Neves é, sem dúvida, um dos melhores dramaturgos e encenadores portugueses dos tempos modernos neste género teatral. Só ele, de facto, para conceber uma aventura que cruza os destinos de Hitler, Nossa Senhora e figuras míticas do cinema português dos anos 30 e 40 como os protagonistas dos célebres «O Costa do Castelo» ou «O Pátio das Cantigas».

Reinventados num texto de Ricardo Neves-Neves, num exercício de imaginação humorística, recorrendo a citações do imaginário de todos, – Oh inclemência, oh martírio – as eternas personagens protagonizam uma aventura maior. Orientados por um espírito superior – uma Nossa Senhora que apenas fala espanhol – embarcam numa viagem missionária da freguesia da Costa do Castelo até Berlim, para prestar um serviço à humanidade, derrubar Hitler. Ligados por este objetivo maior, viajando juntos numa máquina ultramoderna e supersónica, mas dotados de um espírito terra-a-terra, estes heróis improváveis pretendem transformar-se nos heróis libertadores de uma Europa subjugada pelo ditador.

Qual dia D, estas figuras do grande ecrã encetam um plano espetacular para mudar o destino da história, embalados por diálogos hilariantes e por temas musicais desses filmes que ainda hoje trauteamos. Bastará um «Nem tu, velha carcaça, escaparás ao meu ódio» para cumprir a missão que lhes foi confiada?

Com texto e encenação de Ricardo Neves-Neves, «Entraria nesta sala» é protagonizado por Ivo Alexandre, Manuel Marques, Sílvia Rizzo e Sissi Martins, acompanhados em palco pela música ao vivo de António Andrade Santos (guitarra portuguesa), Nélson Aleixo / Miguel Silva (viola de fado) e Sérgio Fiúza (baixo acústico). A peça é uma coprodução do Teatro Variedades, Cineteatro Louletano, Teatro do Eléctrico e Culturproject. O Teatro do Eléctrico é uma estrutura apoiada pela República Portuguesa – Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes, Cineteatro Louletano / Câmara Municipal de Loulé e Câmara Municipal de Lisboa.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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