De lá de cima, no Cerro do Castelo de Alferce, o olhar alcança a serra e os vales profundos de Monchique. A paisagem é vasta, mas é o chão que surpreende: sob os pés estão marcas de quatro mil anos de ocupação humana, do Calcolítico à época islâmica omíada, no século IX.
As muralhas que um dia protegeram este castelo chegaram até nós em ruínas, com troços colapsados e panos ainda de pé, com dois metros de altura. Para lhes dar nova vida, foram lançadas campanhas de conservação e restauro, das quais nasceu o Núcleo Museológico de Alferce, cujo apoio vem do Programa ALGARVE 2020.
Na aldeia, esse pequeno espaço expositivo mostra fragmentos arqueológicos recuperados do sítio. Muitos estão incompletos, mas foram recriados com desenhos e representações gráficas que ajudam a imaginar cerâmicas, armas ou utensílios do quotidiano. É uma forma de transformar restos em narrativas visíveis.
O sítio teve várias vidas: também foi ermida. Hoje funciona como centro interpretativo, com visitas feitas por marcação na Junta de Freguesia, guardiã deste património.
Pouco mais abaixo, a descoberta prolonga-se nos Passadiços do Barranco do Demo, suspensos sobre desfiladeiros. O percurso leva o visitante por trilhos vertiginosos até ao próprio castelo, unindo a emoção da natureza ao fascínio da arqueologia.

