O MOCHILA — Festival Internacional de Teatro para Crianças e Jovens, organizado pelo LAMA Teatro, regressa a Faro para a sua sexta edição consecutiva com uma programação pensada para crianças e famílias, muitas propostas de entrada gratuita e em espaços ao ar livre, cruzando teatro, música, dança, performance, instalação e novo circo. O evento arranca a 1 de maio, com o já tradicional lanche para pais e filhos, no Jardim da Alameda João de Deus, acompanhado pela música do DJ Pa'Putos, interpretado por João de Brito.

No dia 2 de maio, sábado, acontecem dois dos principais destaques musicais desta edição do Festival. Às 18h30, Sam the Kid e DJ Big apresentam um DJ Set hosted by Sir Scratch. Um momento de entrada livre que junta duas gerações do hip-hop português. Às 21h30, Dino D'Santiago sobe ao palco do Teatro das Figuras, para um concerto que cruza tradição cabo-verdiana com a contemporaneidade da eletrónica global.

A programação do MOCHILA passa também pelo LAMA Black Box, que acolhe quatro projetos. No dia 2 de maio, Tiago Cadete inaugura a instalação sonora «Monumento», patente ao longo de todo o Festival. As companhias LAMA Teatro e Terra Amarela apresentam «FOMO», espetáculo de teatro imersivo criado por João de Brito e Marco Paiva, que parte do conceito «Fear of Missing Out» para explorar o medo constante de ficar para trás, convidando o público a circular, observar, escolher e perder. A companhia Estúdio 13 apresenta «Ponto de Encontro», uma performance destinada ao público escolar que leva os mais novos para dentro de um teatro momentos antes do espetáculo começar. Já a Estação das Letras traz «Branco – Teatro sensorial para bebés e não Só», uma viagem sensorial que convida públicos de todas as idades a explorar o mundo das cores.

No Polidesportivo da Ilha da Culatra, o LAMA Teatro apresenta «Piquenique de Histórias», um formato que junta miúdos e graúdos em torno de histórias, com coordenação de João de Brito. Já o Museu Municipal de Faro recebe «Mochila de Culturas – a arte, o acesso e o encontro», uma conversa sobre o acesso à cultura e as exclusões invisíveis, com moderação de Laure Dewitte e participação de Adilson Correia Duarte, Madalena Victorino, Matilde Caldas e Rita Pires Santos.

No Jardim da Alameda João de Deus, um dos principais pontos de encontro das últimas edições do Festival, apresentam-se diversos espetáculos e atividades que cruzam o novo circo, o teatro e a performance. Entre eles, destaca-se «Walo World», uma performance de novo circo do artista espanhol e chileno Germán Iván Villavicencio (Mr. Copini), que transforma o espaço público num mundo de fantasia e encanto; «Cine-Teatro Maria Flaminga», criação do LAMA Teatro que recupera o formato intimista dos microespetáculos; e «Heqet», da Companhia AbsurdA, um espetáculo de novo circo que imagina uma «máfia» de criaturas mitológicas dedicada à cura do planeta.

Integram ainda este núcleo «Antiprincesas: Catarina Eufémia», de Cláudia Gaiolas, que revisita a história desta figura de resistência; «Woow!», da companhia italiana Cie BRUBOC, um espetáculo-percurso, surreal e não verbal, que cruza clown e comédia física; e «Idiòfona», do artista espanhol Joan Català, uma instalação que encontra harmonia no meio do ruído, numa ode ao prazer da experiência partilhada. O programa inclui também «YouGur», de Carlo Mô, uma comédia física para espaço público centrada na ideia de acumulação e sobrevivência; a instalação e oficina «Aletria Biblioteca Itinerante», que convida os mais novos a explorar o parque através de um pedipaper literário; e o «Baile Pais e Filhos», promovido pelo LAMA Teatro em colaboração com a companhia de dança Corpo Evolutivo, um momento participativo que promete pôr toda a família a dançar. A encerrar o Festival, no dia 10 de maio, às 17h, no Jardim da Alameda João de Deus, o MOCHILA apresenta «Roda de Samba» do Coletivo Gira, um espetáculo que reúne sete mulheres e os seus instrumentos numa celebração do samba, entre clássicos e novas sonoridades.

À semelhança dos anos anteriores, o MOCHILA desenvolve ainda ações de mediação cultural como o ESTOJO – Laboratório Pedagógico do LAMA Teatro, uma iniciativa que envolve jovens da comunidade local e que, este ano, apresenta o espetáculo «Todos da Terra»; e o projeto Gang das Mochilas, que leva cerca de 50 estudantes às ruas de Faro com pequenas performances coreográficas. Com organização do LAMA Teatro e Direção Artística de João de Brito, o Festival MOCHILA realiza-se anualmente, desde 2021, com o objetivo de promover a descentralização da oferta cultural, a democratização do acesso a uma programação artística multidisciplinar de qualidade e a capacitação do público e das comunidades para o desenvolvimento de um pensamento crítico sobre o mundo contemporâneo.