Sébastian Loeb é um dos mais bem-sucedidos pilotos de ralis da história, com nove títulos mundiais e, curiosamente, a última das suas duas vitórias no Rally de Portugal foi conquistada no Algarve, em 2009. 17 anos depois, o francês volta a vencer uma prova organizada em Portugal, desta feita aos comandos de um Dacia Sandrider, no Campeonado do Mundo de Todo-o-Terreno. Nas duas rodas, Daniel Sanders repete vitória de há seis meses, desta vez à frente de Tosha Schareina e Adrien Van Beveren. A armada lusa, encabeçada por João Ferreira e Bruno Santos, defende com brio as cores nacionais no Mundial de todo-o-terreno.

Numa etapa descrita pelo Diretor de Prova, Orlando Romana, como tendo reminiscente do percurso que desenhou para o Dakar de 2006, cheia de desafios técnicos, os pilotos tiveram de navegar os quase 100 quilómetros cronometrados com atenção redobrada. No final dos 98 quilómetros do primeiro setor seletivo do dia, a dupla Sébastian Loeb/Edouard Boulanger (Dacia) perdeu 24 segundos para os companheiros de equipa, Lucas Moraes e Dennis Zenz (Dacia) – primeiros classificados no setor seletivo – mas manteve-se firme na liderança, que nunca chegou a ser verdadeiramente ameaçada por Seth Quintero/Andrew Short (Toyota) ou por João Ferreira/Filipe Palmeiro (Toyota). O pódio final do bp Ultimate Rally-Raid Portugal terminou nesta ordem com os três primeiros separados por 3m37s.

Na categoria Challenger, Alexandre Pinto e Bernardo Oliveira (Taurus) voltaram a vencer nas pistas e assim selaram o primeiro lugar à frente da dupla Charles Munster/Xavier Panseri (KTM). No cair do pano, Pedro Gonçalves e Hugo Magalhães (Taurus) resvalaram para quarto lugar, com Rui Carneiro e Fausto Mota (KTM) a assumirem o terceiro posto. Entre os concorrentes dos SSV, Miguel Barbosa e Joel Lutas (Polaris) defenderam com brio a liderança, à frente de João Monteiro e Nuno Morais (Can-Am) e de Jeremias Gonzalez e Gonzalo Rinaldi (Can-Am), segundos e terceiros, respetivamente.

Nos todo-o-terreno Stock, o «Senhor Dakar» Stéphane Peterhansel (Defender) foi o vencedor, à frente de Rokas Baciuska (Defender) e Sara Price (Defender). O francês vence pela primeira vez na categoria e junta a prova nacional ao palmarés de luxo. Com uma vantagem de 1m46s sobre Tosha Schareina (Honda), Daniel Sanders (KTM) arrancou para as pistas do último dia atrás do espanhol, mas depressa ganhou tempo no setor cronometrado e selou a vitória à geral. De faca nos dentes, ambos deixaram a concorrência no pó, com Adrien Van Beveren (Honda) em terceiro, a mais de dois minutos. A prestação do francês é, ainda assim, impressionante se nos lembramos que sofreu aqui um grave acidente há seis meses, sendo este o seu primeiro pódio, desde então. Sanders encerrou a contabilidade com 1m56 de vantagem sobre Schareina e reforçou as estatísticas a favor dos dois pilotos que continuam a ser os únicos vencedores do bp Ultimate Rally-Raid Portugal desde que a prova foi criada, em 2024.

Passando grande parte do bp Ultimate Rally-Raid Portugal a imiscuir-se na luta pela geral, Bruno Santos (Husqvarna) ressentiu-se dos danos provocados pela queda do dia anterior, tendo ficado sem embraiagem logo ao início do setor seletivo da manhã. Mesmo assim, o homem da Husqvarna conseguiu segurar a liderança em Rally2 e o quarto lugar da geral. Martim Ventura (Honda) faz segundo na categoria e Neels Theric (Kove) garante o terceiro lugar. O francês obteve o primeiro pódio de sempre no Campeonato do Mundo de Todo-o-Terreno para a marca chinesa Kove, que veio a Portugal com o intuito de desenvolver a sua moto em terreno desconhecido.

Entretanto, uma penalização por excesso de velocidade fez com que Bruno Santos (Husqvarna) perdesse uma posição na classificação geral das motos, já após o último controlo do bp Ultimate Rally-Raid Portugal. O piloto português trocou de posição com Edgar Canet (KTM). Os dois pilotos acabaram separados por apenas dois segundos. Apesar da mudança de posições entre os primeiros da classificação absoluta, Bruno Santos acabou mesmo por ser o vencedor em Rally2. Martim Ventura (Honda) e Neels Theric (Kove) completaram o pódio nesta categoria.

Em Rally3, Gonçalo Amaral (Honda) garante a vitória na categoria que dominou de princípio a fim, e na qual apenas o seu irmão Salvador Amaral (Honda) e Murun Purevdorj (KTM) lhe fizeram frente. Na contabilidade dos Quad, Antanas Kanopkinas (CFMoto) foi declarado vencedor do bp Ultimate Rally-Raid Portugal, depois do colega de equipa Adomas Gancierius ter sido penalizado em mais de uma hora na véspera, por ter chegado tarde ao bivouac com problemas de transmissão.

Na tabela classificativa do Mundial de TT, Loeb ultrapassa Ekstrom em segundo, enquanto Al-Attiyah mantém a primeira posição. Com os pontos acumulados no bp Ultimate Rally-Raid Portugal, e o facto de a Ford não ter pontuado, a Dacia vê-se assim ainda mais firme no topo da classificação. Nas motos, a Honda beneficiou com as pontuações de Schareina e Van Beveren, para subir no Campeonato do Mundo de Todo-o-Terreno, enquanto que nem mesmo uma prestação abaixo do esperado – com o nono lugar conquistado – foi suficiente para destronar o argentino Luciano Benavides do topo da tabela. Daniel Sanders é agora segundo, por troca com Ricky Brabec.