A relação do ser humano com a tecnologia, os hábitos diários com o digital e a busca incessante por uma versão melhorada de nós próprios, são alguns dos temas abordados no novo espetáculo da companhia ArQuente, «Paraíso, meu Paraíso», que estreou, no dia 6 de março, no Cineteatro Louletano.
Para dirigir e encenar esta peça, a ArQuente convidou a coreógrafa e dramaturga Lígia Soares, que aceitou o desafio de trabalhar com uma equipa de intérpretes com diferentes percursos profissionais (dança, música, teatro e até biologia). O espetáculo foi nascendo ao longo de três residências artísticas, com o Palácio Gama Lobo, em Loulé, a ser nos últimos meses, o laboratório desta experiência partilhada. “Trabalhámos sempre numa relação de cocriação. Como ponto de partida, tínhamos o tema e eu fui propondo improvisações e ideias, que depois foram sendo desenvolvidas por toda a equipa. Não vinha com nada fechado, nem com materiais já produzidos. Fomos fazendo uma descoberta conjunta. O meu papel foi ir compondo e encenando, a partir dos materiais que iam aparecendo ao longo dos ensaios. Foi um processo muito orgânico, com uma metodologia que se desenhou a si própria”, explica a diretora artística da peça.
Em palco, Bilonda Bukasa, João Tatá Regala, Sara Vicente e Teresa Silva abrem caminho a uma reflexão sobre espaço físico e espaço digital e a busca de paraísos pessoais. Numa espécie de jogo, com uma certa ironia, explora-se o contrassenso entre estar sempre ligado, mas simultaneamente desconectado. “Outro aspeto muito interessante tem a ver com o tempo… a velocidade do tempo. Vivemos num mundo cada vez mais acelerado, em que procuramos soluções muito rápidas e eficazes. E quem produz os conteúdos já presume que não há escapatória a essa aceleração. Numa espécie de busca pela felicidade seguimos gurus, conselhos e ideias que são partilhados globalmente e vindos de pessoas que, na maioria das vezes, só conhecemos através dos ecrãs. E é curioso serem essas pessoas a levarem-nos a um estado de felicidade. Ao longo do processo criativo, trabalhámos muito nessa necessidade de conexão através do digital e na peça brincamos com essa ideia”, descreve Lígia.
«Paraíso, meu Paraíso», que estreou no ano em que a ArQuente celebra o seu 20.º aniversário, conta com a coprodução do Cineteatro Louletano e do Teatro das Figuras. Depois de Loulé, a peça subiu ao palco do Teatro das Figuras, no dia 26 de março.
Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina
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