Por momentos vamos colocar de lado (do pensamento) os fundos comunitários. Também vamos fazer de conta que não há uma guerra (várias até). Atentemos ao nosso retângulo (o Algarve, como se fosse Portugal deitado).

Sim, os fundos vão reduzir-se e os efeitos do conflito vão perdurar.

Estão a conseguir? Difícil, mas conseguimos pensar só nisto e não encontramos mais grande coisa além do costume…nós, a pensar em nós.

É que antevejo a revolução que se vai passar em Sines (além do porto de águas profundas) e fico feliz pela enorme expectativa de investimentos privados, benefícios e incentivos fiscais.

Uau!! Dali até Setúbal, vamos ter uma enorme especialização económica, fixação e atração de talentos ao território e uma coerência de infraestruturas e equipamentos a atravessar da frente atlântica até Espanha e mais além. O anterior governo deixou marca em progresso.

Mais a norte, Coimbra volta a aparecer no mapa das opções com Viseu, até Aveiro e em redor de Leiria, todo o trabalho de fazer reviver gentes e povoações depois das tempestades. O Presidente da República está a puxar pelo território, animando vontades e concentrando atenções na recuperação em força. A inovação está a passar por ali.

O Centro ainda, até Santarém, Almeirim e mais puxam pelo sector agroindustrial e fazem brilhar na diferença da sua afirmação de potencialidades logísticas.

O Norte…bem o Norte, à parte o eixo até Braga (a caminho de Vigo), é uma caixinha de surpresas na resiliência e orgulho que Portugal tem que olhar para o desenvolvimento partilhado até Bragança. Tal e qual o Baixo Alentejo e o Algarve, pois.

Não falo da (grande) Lisboa, nem de Évora, pois já vi que estão muito bem, ainda que vão ficar melhor. Investimentos, infraestruturas, concentração e desenvolvimento de múltiplas oportunidades.

Devíamos estar todos assim. Mas o interior norte, o baixo Alentejo e, sim, também o nosso Algarve, não se vislumbra desígnio que assumamos.


Procura-se uma estratégia mobilizadora, que nos reúna num sentido de investimento. Algo que seja futuro, além do turismo. Precisamos mais de outros sectores para termos melhor turismo e qualidade de vida. Precisamos de mais coletivo e concertação além do municipalismo.

Reconheço que tem havido mais inovação, diversificação, criatividade, reconheço que há mais conhecimento e ação comum, mas parece faltar-nos um rumo que todos conheçamos, critiquemos, mas nos mobilize pela persistência e comunhão de esforços. A região precisa de se afirmar e já é conhecida para lá do retângulo Portugal.

Agora temos uma CCDRAlg plurirepresentada sectorialmente, com certeza será dotada de mais meios próprios e também mais competências efetivas de coordenação. Sei que há urgência de cumprimento de fundos nos prazos, mas falo de conjugação ao invés de dispersão do cada um por si para fazer. Falo de captar investimento externo além dos fundos de gestão turística de empreendimentos.

Tratemos de anunciar ao vento o que queremos, o que temos o que vamos ser em 2050 e mais além.

Tratemos de falar de coisas difíceis em casa e trabalhar nas soluções com quem está disponível para a ação. Voltemos a ser grandes como há séculos. Afirmemos o arco latino europeu daqui até à Roménia, aproveitemos o eixo atlântico até norte europeu e a frente face à América e norte de África. As portas, além do digital e com o digital, estão aí para consolidar e continuar a surpreender.

Rompamos este atavismo de nos fazerem pequenos numa região e país grande. O medo da critica, a burocracia que leva ao receio da marca justiceira, assumamos o que queremos ser, juntos.

No essencial, sequer há problemas entre partidos ou políticos, não temos uma sociedade dividida e era fácil estarmos divididos sendo apenas 450 mil entre 16 concelhos. Todos conhecemos todos e sabemos que nos devemos unir para conseguir a atenção dos investimentos essenciais com massa critica benéfica para todos.

Não esperemos pelo governo, todos estão mais preocupados onde há mais votos.

Nós temos a vantagem de ser uma região conhecida e que gera PIB e redistribui solidariamente para demais. Orientemo-nos depois de consensualizar e dar a conhecer a todos esse algo que ainda procuramos – um desígnio comum que sirva quem nos procura e quem aqui vive(rá).

Não há de ser só uma coisa, mas algo será. Vamos fazer discutir, anunciar, que programas de coisas serão, priorizar e votar?

Paulo Neves é um «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha

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