A obra «Uma Pedra na Boca», integrada no volume «Não Desfazendo – Poesia 1998-2023», da autoria de Rita Taborda Duarte, editado pela INCM – Imprensa Nacional Casa da Moeda, em junho de 2023, foi a vencedora da terceira edição do Prémio Nacional João de Deus (Poesia) 2025, no valor de 10 mil euros. O prémio é promovido pela Câmara Municipal de Silves, com o apoio da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Terras do Arade como entidade associada.

O júri, constituído por José António Gomes, Catherine Dumas e Violante Magalhães, deliberou por unanimidade distinguir a obra, salientando que «Uma Pedra na Boca» se diferencia pela intensidade duma expressão pessoal assente na mestria da linguagem poética da autora, marcada pela originalidade, e no domínio da técnica composicional do poema. “Os poemas, ora adotando a forma breve, ora formas mais extensas, articulam com êxito passos coloquiais, em que se interpelam um tu e um eu, e uma métrica mais clássica, não excluindo uma certa tonalidade humorística. Tais aspetos não podem ser dissociados nem da profundidade ideotemática dos textos (em que avultam a singularidade de uma insubmissa voz lírica de mulher e um complexo de tópicos decorrentes de tal circunstância, incluindo a questão da própria criação poética), nem da unidade de um conjunto que, por outro lado, ativa, de modo expressivamente pertinente, várias referências poéticas intertextuais clássicas e contemporâneas”, refere o júri.

A cerimónia pública de entrega do galardão teve lugar no dia 8 de março, integrada nas comemorações do 196.º aniversário do nascimento de João de Deus. “A genuína sinceridade às vezes tem dificuldade em obedecer a frases feitas e a protocolos. Nem é tanto como premiada, mas principalmente como cidadã, que quero agradecer ao Município de Silves e à Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, porque, quando o poder económico e o poder político se conjugam de alguma maneira para dar poder à cultura, isso é muito bom sinal. A poesia é tantas vezes considerada o parente pobre das artes, quando é a base da cadeia alimentar da cultura”, declarou, na hora de receber o prémio, Rita Taborda Duarte. “João de Deus é uma referência da literatura, da poesia, da pedagogia, do ensino, da educação, une toda uma vila. Vivemos num mundo cada vez mais sombrio, tão atrevidamente ignorante que faz descarte da memória e do conhecimento, num país que, aos poucos, vai procurando rasurar o uso da língua, tornando-a plana, com frases feitas e palavras gasosas, pelo que é fundamental não se desistir da linguagem da poesia, aquela que realmente chega ao fundo”, considera a autora.

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Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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