Uma cadeira de rodas desliza pelo claustro renascentista do antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção. O gesto simples, hoje possível graças ao novo elevador e às rampas de acesso, simboliza uma mudança profunda: o Museu Municipal de Faro abriu-se, em 2024, a todos os visitantes, sem barreiras físicas.

No coração da Cidade Velha, vizinho da Sé, do Seminário Episcopal e da Câmara Municipal, o museu ocupa um lugar central na zona mais emblemática da cidade. O centro antigo, feito de algumas ruas estreitas, largos arejados e casas que alternam entre o desgaste do tempo e a renovação, ganhou assim um equipamento cultural mais acessível, capaz de receber, não só a comunidade local, mas também os milhares de turistas que todos os anos procuram Faro como porta de entrada no Algarve.

À noite, a transformação impressiona ainda mais: o claustro, antes mergulhado em sombra, revela-se agora com uma iluminação cénica que desenha as arcadas e valoriza a arquitetura. É uma nova forma de apresentar a História — mais visível, mais inclusiva e mais envolvente.

Esta foi a primeira etapa de um plano de conservação programada a dez anos, apoiado pelo Algarve 2030. Para além das acessibilidades e da luz, estão previstas redes técnicas modernizadas e a criação de oficinas de conservação e restauro num edifício anexo, transformando o museu num espaço que é ao mesmo tempo guardião, laboratório e palco.