No âmbito das Comemorações do Dia Mundial do Teatro, o Cineteatro Louletano recebeu, nos dias 26 e 27 de março, a peça «Santa Joana dos Matadouros» pelo Teatro da Didascália.

Todos os fracos e desprotegidos recorrem à personagem de Joana Dark escrita por Brecht. Joana segue o seu espírito missionário enquanto porta-voz do povo e mediadora dos conflitos entre os trabalhadores e o poder que dirige a indústria da carne. “Joana é manipulada pela classe que representa, mas também pelo poder que lhe oferece pequenas vitórias com o objetivo de a instrumentalizar. Joana é a válvula de escape do povo e o instrumento através do qual o poder tenta controlar a fúria da multidão. Joana podia ser aquela artista politicamente engajada, com fortes discursos em defesa de todos os oprimidos do mundo, que se alimenta das suas histórias e tragédias, e que inconscientemente contribui para a romantização das suas desgraças”, descreve a companhia.

Escrita por Bertolt Brecht entre 1929 e 1931, e estreada em palco somente em 1959, «Santa Joana dos Matadouros» subiu ao palco pela primeira vez em novembro de 2025, no Teatro Carlos Alberto, com encenação de Bruno Martins, diretor-artista do Teatro da Didascália. O texto trabalha sobre esta tensão entre fé e política, expondo os mecanismos através dos quais o poder absorve e neutraliza a luta popular.

A história passa-se em Chicago logo após o crash bolsista de 1929, mas podia passar-se em qualquer tempo e lugar. É a sempre inacabada história dos fracos e desprotegidos diante do poder discricionário dos proprietários, patrões e especuladores. Entre uns e outros, Bertolt Brecht cria uma personagem chamada Joana Dark – inspirada na figura de Jeanne d’Arc – que, animada pela fé religiosa, se junta aos trabalhadores na luta contra o desemprego e a miséria, mas que o poder rapidamente instrumentaliza a seu favor.

Com Texto de Bertolt Brecht e Dramaturgia e Encenação de Bruno Martins, «Santa Joana dos Matadouros» é interpretada por Beatriz Wellenkamp Carretas, Carolina Rocha, Eduardo Breda, Flávio Catelli, João Cravo Cardoso, João Melo, João Miguel Mota, Lucília Raimundo, Pedro Couto e Telma Cardoso. É uma produção do Teatro da Didascália e coprodução da Casa das Artes de Famalicão, Cineteatro Louletano e Teatro Nacional São João. Conta com o apoio do Município de Vila Nova de Famalicão e da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes.

Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

Veja a reportagem em: