Se eu fosse rico…
Associava-me a lançar projetos marcantes para a afirmação qualitativa regional e a diversidade da nossa estrutura económica.
Sim, tentaria contribuir mais para a concretização, aqui, do 3.º «D» da Revolução de Abril, o do «Desenvolvimento».
Aqui deixo algumas provocações, sem ordem de análise de retorno ou prioridade, para se investir com gosto pelo Algarve:
- Temos quase duas centenas de navios, dia a dia, a passar ao largo da nossa costa e, entre Cádis e Sines, não há um rebocador oceânico com capacidade de intervenção, salvamento ou apoio aos armadores, com tripulação formada para ação em caso de incêndio a bordo, derrame ou ação num acidente. Mesmo um helicóptero, para emergência médica, de longo curso, teria de vir do Montijo até à distância do percurso marítimo a vencer. Talvez fosse de pensar que, com o acrescento do cais de cruzeiros de Portimão, venham…cruzeiros de maior porte próximos desta rota;
- Continuando a pensar no nosso principal produto da oferta turística, que também é um recurso natural valioso, e na necessidade de segurança de pessoas e bens na região e para a nossa atividade económica mais evidente, investiria, como projeto estruturante, numa área de formação permanente em proteção civil, com meios de vanguarda, com capacidade para intervenções fundamentais em meio aquático, terrestre e em imóveis, além da nossa fundamental área florestal, em coordenação com a primeira das oportunidades/responsabilidades que apontei antes e com os aeródromos da região;
- E porque temos que continuar a surpreender(-nos) todos, para valorizar a opção pela região como destino de férias, acrescentar motivos culturais, históricos, para as famílias, trazendo «a nova Escola de Sagres», como um lugar para fruição e compreensão dos lugares da expansão marítima a partir do Algarve, com a instalação de um planetário digital 5D, em que se pudesse sentir a navegação, ao tempo, seguindo as estrelas do hemisfério sul, os ventos dominantes, confrontando com a nova fauna e flora, os cheiros de cada sitio dos Algarves de além-mar até ao Bojador e depois com o nosso conterrâneo Bartolomeu Dias, mais a sul, no cabo transformado na Boa Esperança e Brasil. Incluindo-se o espanto inicial das culturas locais descobertas.
Temos tanto o que podemos fazer para «enriquecer»;
- Como não investir em programas habitacionais para as famílias, para os jovens, sejam residentes, sejam trabalhadores para dar resposta às necessidades de alojamento condigno, não aprofundar problemas sociais e prover ao funcionamento das novas ofertas que estão a eclodir no território? Não vamos mais esperar por respostas centrais, temos a oportunidade de priorizar, decidir e fazer acontecer. Se, há anos, com taxas de juro superiores a 20 por cento, se construíram milhares de fogos (120 mil no país), como não repetir agora com uma empresa mista regional em que participem municípios, cooperativas e fundações para tamanho objetivo com os bancos e fundos a 6 por cento?
- Porque não criar um regulamento comum regional para as intervenções e limpeza em espaço público, com taxas e retorno para a publicidade ordenada, para a sinalética rodoviária informativa, para a qualidade e ocupação dos terrenos confinantes?
- Investiria na concessão da rede e unidades de transportes ferroviários da linha do Sul e a sua relação horária com as concessões/exploração rodoviárias locais, organizadas regionalmente com a nossa autoridade de transportes para a sua capacidade de resposta, sustentabilidade na utilidade para as necessidades pendulares e turísticas;
- Na área da saúde, antecipo que os extremos barlaventino e a sotavento da região, vão «dar cartas» na inovação e desenvolvimento de proximidade em soluções de saúde e mesmo na formação e investigação. Sobre esta área ainda tenho um «defeso» ético para cumprir e por tal não me alongo. Mas chamo a atenção para a emergência de respostas geriátricas completas e abandonando a perspetiva caritativa de Estado;
- Mas também nestas áreas geográficas, investiria em apoio às surpresas que poderão surgir no desenvolvimento das indústrias criativas, assim como na valorização dos produtos da cortiça e da floresta no nosso interior!
- Se dermos suporte de capital para inovação de produção à agroindústria e pesca para suprir às necessidades para um mercado de 8 milhões de consumidores, ficaremos mais equilibrados na nossa «balança comercial» regional;
- E vamos lá aproveitar o tempo para maiores bacias de retenção em água e/ou nova fábrica de água a barlavento para reserva de exploração quando voltemos a ter problemas de seca, é uma questão de tempo e segurança.
Eu apostaria também o meu dinheiro no «D» de desenvolvimento na capitalização democrática dos setores que nos darão futuro.
Paulo Neves é um «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha
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