Distinguido com o Prémio SPA 2025 para Melhor Coreografia, Daniel Matos é um dos nomes a fixar na nova criação contemporânea portuguesa. A sua mais recente obra, «A Luminosa Violência da Perfeição», estreia a 18 de abril no Teatro das Figuras, em Faro, com Joana Guerra e a Orquestra do Algarve em palco.

Inspirado na «Pavane pour une Infante Défunte», de Maurice Ravel, o espetáculo constrói um cortejo coreográfico onde lentidão e intensidade coexistem. A partir desta dança de carácter melancólico, emerge uma reflexão sobre o adiamento do fim da juventude e sobre aquilo que ainda está por viver. Em cena, Lia Vohlgemuth, Joana Simões, Claudio Murabito, Margarida Paiva, Florencia Martina e Nuno Velosa são os seis intérpretes que atravessam um tempo deliberadamente dilatado onde a contenção nunca é totalmente estática e a libertação nunca é completa. O movimento oscila entre resistência e fuga, evocando imagens de cavalarias em trânsito e de forças em tensão permanente. Mais do que um estado de tristeza, o que aqui se instala é uma urgência contida, como se o corpo soubesse algo que ainda não aconteceu.

A música, criada a partir de Ravel por Joana Guerra, é interpretada ao vivo com a Orquestra do Algarve, sob direção de Pablo Urbina, num diálogo contínuo entre composição, presença e respiração. Os arranjos e orquestrações são assinados por alunos da Universidade de Aveiro, introduzindo uma dimensão geracional que se prolonga em palco com a participação de crianças da CAMADA Centro Coreográfico.

O título «A Luminosa Violência da Perfeição» funciona como imagem e como diagnóstico. Há uma violência subtil naquilo que se apresenta como perfeito. “Como numa fotografia, o tempo parece suspenso, mas o que nela existe continua a transformar-se, a envelhecer. Também aqui, a beleza fixa não tranquiliza, inquieta. O corpo jovem, tal como a imagem, exerce uma força ambígua: seduz e, ao mesmo tempo, aprisiona. Uma beleza que coage, que fixa, que não deixa sair”, descreve Daniel Matos.

«A Luminosa Violência da Perfeição» é financiada pela DGArtes Ministério da Cultura, Desporto e Juventude República Portuguesa. A coprodução envolve cinco teatros – Teatro das Figuras, Centro Cultural Vila Flor, Cine-Teatro de Torres Vedras, Teatro Municipal da Covilhã e Município de Lagos – e resulta de residências em O Espaço do Tempo e Teatro José Lúcio da Silva, com apoio de estruturas internacionais como o GrandStudio Brussels e o Trois C-L (Luxemburgo).