Chamam-lhe «ponte romana», mas não é. Ergue-se medieval, de pedra avermelhada, como se tivesse nascido do próprio grés de Silves. Durante séculos foi a entrada principal da cidade e, até à inauguração da ponte de Portimão, em 1876, todo o tráfego que seguia para o barlavento algarvio passava por ali. Os seus arcos robustos refletiam-se na água calma do Arade, testemunhas silenciosas de mercadores, viajantes e carroças que faziam da ponte o coração das acessibilidades do Algarve.
O tempo, porém, deixou marcas. Na década de 1960, problemas estruturais ditaram a construção de uma nova ponte. Antes dela, uma frágil estrutura de madeira garantia a travessia até ser levada por uma cheia. A abertura da avenida marginal acabou por cortar o acesso direto ao tabuleiro da Ponte Velha, transformando-a em ponte pedonal e deixando-a entregue ao passo lento dos peões e à contemplação das margens ajardinadas.
Agora, 700 anos depois da sua construção, a guardiã do Arade prepara-se para renascer. Com financiamento do Algarve 2030, será alvo de uma intervenção que vai consolidar arcos e talha-mares, tratar o grés de Silves, aplicar rebocos tradicionais e renovar o pavimento. As antigas infraestruturas que atravessavam o tabuleiro vão desaparecer e, pela primeira vez, a ponte terá iluminação cénica, fazendo sobressair à noite a imponência das suas linhas.

