A Universidade do Algarve vai atribuir o título de Doutor Honoris Causa ao arquiteto paisagista Fernando dos Santos Pessoa, e ao arqueólogo José D’Encarnação, numa cerimónia pública que se realiza no próximo dia 17 de abril, às 15h30, no Grande Auditório Caixa Geral de Depósitos, no Campus de Gambelas.

Sob proposta da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais (FCHS), José D’Encarnação irá receber o título honorífico na área de Estudos do Património, e Fernando dos Santos Pessoa, que foi proposto pela Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), será doutor Honoris Causa em Ciências do Mar, da Terra e do Ambiente, na especialidade de Ciências e Tecnologias do Ambiente. Os dois novos doutores Honoris Causa juntar-se-ão, assim, à lista das já 20 personalidades influentes dos panoramas nacional e internacional, que foram distinguidas com este título honorifico pela UAlg.

José d´Encarnação é natural de São Brás de Alportel (1944) e professor catedrático em História e Arqueologia, aposentado, da Universidade de Coimbra. Especializado em Epigrafia, foi o primeiro português admitido na Association Internationale d'Épigraphie Grecque et Latine, em 1977, e defendeu, em 1984, a sua tese de doutoramento sobre as inscrições romanas do Sul de Portugal.

Tem sido sua preocupação, como docente, formado em Museologia e jornalista, salientar a importância do Património Cultural, disciplina que também lecionou e temática preferencial das suas crónicas, reunidas, por exemplo, em «Retalhos» (S. Brás de Alportel, 2018) e «Pelo Barrocal Algarvio» (Lisboa, 2021). É membro, entre outras, da Academia das Ciências de Lisboa (efectivo), da Academia Portuguesa da História (académico de mérito), da Associação dos Arqueólogos Portugueses (1970), da Associação Portuguesa de Museologia (1972), do Instituto Arqueológico Alemão (1986), e da Real Academia de la Historia (Madrid, 1999).

É, desde 2001, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Poitiers (França) e, em 2015, foi agraciado pelo município são-brasense com as insígnias de mérito cultural. Integra, também, a equipa da SBA Revista de Cultura (semestral), a qual criou em 2020 e de que é o atual diretor. Escreve assiduamente nos Anais do Município de Faro e é colaborador habitual do Notícias de São Brás. Reside em Cascais desde os quatro anos, mas jamais se desligou do seu Algarve.

Fernando José Santos Pessoa nasceu em 1937 e formou-se em Engenharia Silvícola em 1965 e, posteriormente, em Arquitetura Paisagista em 1968, no Instituto Superior de Agronomia. Ao longo da sua carreira, desempenhou diversas funções de relevo na área do ordenamento do território, da paisagem e da conservação da natureza. Iniciou a sua atividade profissional como Administrador Florestal do Funchal e do Porto Santo e foi responsável pelo Jardim Botânico da Madeira entre 1971 e 1974.

Ainda na década de 1960, integrou, enquanto arquiteto paisagista, a equipa do arquiteto Rafael Botelho responsável pela elaboração do primeiro Plano Diretor Municipal do Funchal, em 1968. Participou também na elaboração do Plano de Ordenamento do Território da Madeira, em 1974, em colaboração com o arquiteto Filipe Mário Lopes. Posteriormente, exerceu funções como Chefe de Gabinete de Gonçalo Ribeiro Telles e destacou-se como fundador e primeiro presidente do Serviço Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico (SNPRPP). Foi responsável pela introdução em Portugal de novos conceitos ligados à conservação e gestão do território, como os de parque natural, paisagem protegida e ecomuseu. No plano internacional, integrou a direção da Federação Europeia de Parques Naturais e Nacionais. Entre outras responsabilidades institucionais, coordenou o Grupo de Trabalho para o Estudo das Cheias na Região de Lisboa, em 1984, e presidiu ao Grupo de Trabalho do Algarve do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB).

No domínio académico, exerceu funções como Professor Auxiliar Convidado em várias instituições, nomeadamente no Instituto de Novas Profissões, na Universidade de Évora, na Universidade Católica Portuguesa e na Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou módulos de mestrado. Teve também um papel determinante na Universidade do Algarve, sendo o principal responsável pela criação e direção da Licenciatura em Arquitetura Paisagista, em 1998.

Paralelamente à sua atividade académica e institucional, desenvolveu uma extensa carreira como profissional liberal, participando em numerosos projetos, bem como em congressos e colóquios em Portugal e no estrangeiro. Ao longo do seu percurso publicou cerca de vinte livros dedicados a temas relacionados com a paisagem, o território e a conservação da natureza.