O Cineteatro Louletano foi palco, no dia 23 de maio, da apresentação final do Festival MED 2026, numa noite em que foram anunciados alguns incrementos no evento. No alinhamento musical, as grandes novidades, que fecham o cartaz, são três regressos: os britânicos Asian Dub Foundation, do Senegal a Orchestra Baobab, e do Brasil mais uma confirmação, Tulipa Ruiz.
Banda pioneira na música eletrónica alternativa britânica, esteve no MED em 2018 e este ano está de volta num regresso muito aguardado. Os Asian Dub Foundation são conhecidos pelo som único, misturando hip-hop, dub, drum and bass e dancehall, com a música tradicional do sul da Ásia e a energia crua do punk rock.
Passados 16 anos de ter estado em Loulé, a Orchestra Baobab, a lendária banda senegalesa, traz uma fusão elegante e contagiante, entre a música tradicional do seu país (incluindo tradições griot e wolof) e os ritmos afro-cubanos. A voz magnética de Tulipa Ruiz encarna uma das linhas mais férteis da música brasileira atual: a capacidade de falar de temas íntimos e coletivos com leveza, profundidade e encanto. No regresso ao MED, depois de aqui ter atuado em 2013, o seu «pop florestal» volta a ganhar corpo na Zona Histórica de Loulé.
O Festival MED inicia um novo ciclo com ambições renovadas de crescimento, qualidade e inovação estruturante. Sob a nova direção de Paulo Silva, o evento volta a ter na música o grande foco, sem, naturalmente, descurar tudo o resto, todas as manifestações artísticas e atividades paralelas. “A música é a verdadeira alma do MED. É aquilo que dá vida às ruas de Loulé, que aproxima pessoas vindas de diferentes partes do mundo e que transforma cada noite do festival numa experiência impossível de esquecer. No MED, a música faz muito mais do que encher palcos. Ela cria memórias. Cria encontros. Cria sentimentos que permanecem muito para além do festival terminar”, sublinhou o programador, e agora também diretor do evento.
A 22ª edição do Festival MED distingue-se pela maior diversidade musical de sempre, reunindo artistas de 30 nacionalidades. Para além do cartaz multicultural, o festival introduz transformações profundas na experiência do público. Durante a sessão de apresentação, o novo responsável, Paulo Silva, bem como o assessor do Município para a área dos Eventos, José Miguel Monteiro, elencaram essas novidades que pretendem melhorar a experiência do visitante.
O recinto será ampliado na Praça da República e na Rua Martim Moniz, uma melhoria significativa na fluidez, circulação e segurança dos visitantes. No Largo de S. Francisco é criada uma nova entrada, enquanto que o emblemático Mercado Municipal de Loulé ficará totalmente integrado dentro do recinto. No seu interior, haverá também uma programação musical. Outra das inovações será o sistema de bilhética: o público em geral só precisa de bilhete, seja ele físico ou digital, e ao contrário dos anos anteriores, não será necessário fazer a troca por uma pulseira (apenas para organização ou residentes).
Será implementado o Ciclo de Conferências MED, com a realização de uma conferência no dia 26 de junho, mas também outros momentos ao longo do ano onde serão abordados temas ligados ao Festival e aos eventos em geral, criando uma dinâmica à volta da programação do concelho, uma plataforma cultural contínua. Pela primeira vez, será integrada uma exposição interativa, com uma componente pedagógica e participativa. Os palcos principais terão uma nova estética e todos eles irão apresentar uma imagem diferente, reforçando a identidade MED. Junto à Igreja Matriz, será criado o MED Lounge, um espaço de descompressão, com decoração temática (da autoria de Elsa Guerreiro), animado por DJ sets que irão explorar o lado mais eletrónico da World Music.
O conceito CIDADE MED vem reforçar, já a partir deste fim de semana, a decoração temática por várias zonas da cidade e ativações da marca MED no centro da cidade, bem como no Mar Shopping, até ao início do Festival. Concertos e animação de rua serão alguns dos momentos que irão surpreender os transeuntes. Esta abordagem, que incentiva à participação da comunidade, reforça a ideia de que o MED transcende o recinto, constituindo-se como uma experiência coletiva e uma forma de viver Loulé. Também os sabores do Festival serão «ativados», através de uma doce criação – o MED´lhado – o folhado oficial da edição de 2026.
O evento reforça ainda a sua estratégia de comunicação, garantindo a maior cobertura mediática de sempre. Além de reforço com as parcerias com a televisão e rádio públicas, este ano o jornal Público junta-se aos media partners do MED. Num ano de “ambições acrescidas para Loulé” com a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028, o presidente da Câmara Municipal de Loulé, Telmo Pinto, referiu que este reforço de qualificação do Festival MED como evento essencial de encontro de culturas e de reforço da tolerância, de humanismo, de cidadania e de pensamento, será um dos eixos a trabalhar neste projeto. Até porque o MED é “o principal eixo da política cultural do concelho e pilar estratégico para a candidatura”, sublinhou. “Mais do que um evento cultural, o MED constitui-se como uma plataforma de valorização da interculturalidade, de promoção da tolerância e de celebração da convivência entre povos, reforçando a atratividade de Loulé enquanto destino cultural de referência”, realçou ainda Telmo Pinto.