João Guimarães Rosa
Se eu soubesse, escrevia-te um poema. Um poema eterno, daqueles que dizes de corpo inteiro.
Se eu fosse poeta, escolheria as palavras mais belas para ti. Doces, frescas, cintilantes como tu. E, ainda assim, nenhuma chegaria verdadeiramente para te contar.
Bradaria ao mundo a tua alegre loucura, a gentileza sem esforço, a lealdade inigualável, o teu enorme talento, a voz melodiosa.
Prestaria homenagem à tua bondade, à capacidade infinita de seres feliz com a felicidade dos outros e de lhes declarares o teu amor em gestos, sorrisos e palavras.
Diria a todos que és uma fada. Um ser frágil, luminoso e intenso. Que a tua varinha de condão é a palavra com que espalhas pelo mundo afeto e poesia.
E explicaria por que te fizeste ausente dos nossos olhos. Que te encantaste e partiste para esse universo perfeito a que sempre pertenceste. O lugar mágico onde tudo permanece infância, maré e brilho do amanhecer.
Onde as dunas, os pássaros, as conchas e os peixes são poemas, e tu brincas feliz entre os seus versos. Na tua Ria. É aí que vivem as fadas. Num bailado perpétuo, a desenhar raios de luz e a escrever ondinhas na preia-mar. É aí que, embaladas pelo marulhar, adormecem aninhadas em colos de madrepérola.
E é também aí que te procurarei sempre, na certeza de que, se um dia um salpico atrevido me vier salgar o rosto, foste tu. A tua travessura. A tua gargalhada. O teu abraço.
Se eu soubesse, escrevia-te um poema, minha flor.
Minha eterna menina do mar.
E explicaria por que te fizeste ausente dos nossos olhos. Que te encantaste e partiste para esse universo perfeito a que sempre pertenceste. O lugar mágico onde tudo permanece infância, maré e brilho do amanhecer.
Onde as dunas, os pássaros, as conchas e os peixes são poemas, e tu brincas feliz entre os seus versos. Na tua Ria. É aí que vivem as fadas. Num bailado perpétuo, a desenhar raios de luz e a escrever ondinhas na preia-mar. É aí que, embaladas pelo marulhar, adormecem aninhadas em colos de madrepérola.
E é também aí que te procurarei sempre, na certeza de que, se um dia um salpico atrevido me vier salgar o rosto, foste tu. A tua travessura. A tua gargalhada. O teu abraço.
Se eu soubesse, escrevia-te um poema, minha flor.
Minha eterna menina do mar.
Sílvia Quinteiro é professora
Crónica publicada em:
Foto: Dina Adão (CIV)

