O Museu Municipal de Faro (MMF), em parceria com o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), inaugura a exposição «Olhar a Paisagem a partir das coleções do MNAA» no dia 30 de maio, às 16h. Integrada no programa «MNAA está aqui», a mostra propõe uma viagem artística que atravessa cerca de cinco séculos de história da arte, estabelecendo um diálogo entre obras do acervo do MNAA e expressões modernistas da coleção do MMF.

A exposição reúne peças emblemáticas da arte portuguesa, como «Mês de Abril», de Baltazar Gomes Figueira (1604–1674) e Josefa de Ayala (1630–1684), e a tela «Leda e o Cisne», de Vieira Portuense. Integra igualmente obras de artistas internacionais de referência como Joos de Momper II (1564–1635), com «Porto de Mar», e o mestre francês Jules Dupré (1811–1889), com «Paisagem fluvial», entre outros nomes relevantes.

Partindo da noção de paisagem enquanto construção do olhar, a exposição reflete sobre a forma como a natureza foi sendo representada ao longo do tempo, espelhando diferentes sensibilidades artísticas e modos de compreender o espaço. Sem seguir uma evolução linear do género, a mostra evidencia a afirmação da pintura de paisagem como campo autónomo, marcado por múltiplas leituras da natureza, da arquitetura e da própria prática pictórica. Trata-se, assim, de um convite ao cruzamento de perspetivas, ao diálogo entre coleções e à (re)descoberta do património artístico preservado por ambas as instituições.

No contexto do encerramento temporário do MNAA para o início das obras inseridas no programa «Recuperar Portugal: Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)», o museu desenvolve o projeto «MNAA ESTÁ AQUI / IS HERE», com o objetivo de dar visibilidade às obras do seu acervo depositadas em diversas instituições museológicas de norte a sul do país, incluindo os arquipélagos dos Açores e da Madeira. Com cerca de 40 mil peças sob sua tutela, o MNAA tem vindo a promover a circulação e partilha do seu acervo, que se encontra representado em instituições como o Paço dos Duques de Bragança (Guimarães), o Museu de Aveiro, o Museu de Leiria, o Museu Francisco Tavares Proença Júnior (Castelo Branco), o Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa (Crato), a Igreja de Santiago do Castelo (Palmela), o Museu-Biblioteca da Casa de Bragança (Vila Viçosa), o Museu de Angra do Heroísmo (Terceira) e o Palácio de São Lourenço (Funchal), entre outros.

Criado em 1884, o MNAA – Museu Nacional de Arte Antiga alberga a mais relevante coleção pública de arte em Portugal, abrangendo pintura, escultura e artes decorativas portuguesas, europeias e da Expansão, desde a Idade Média até ao século XIX. O seu acervo inclui um elevado número de obras classificadas como «tesouros nacionais», bem como a mais relevante coleção de mobiliário português. São também de grande relevância, no acervo, algumas obras do património artístico mundial, não só na pintura, mas também na ourivesaria, cerâmica, têxteis, vidros e ainda desenhos e gravuras. 

Entre as suas obras mais emblemáticas destacam-se os «Painéis de São Vicente», de Nuno Gonçalves, obra-prima da pintura europeia do século XV, a «Custódia de Belém», de Gil Vicente, mandada lavrar por D. Manuel I e datada de 1506, os «Biombos Namban», do final do século XVI, registando a presença dos portugueses no Japão, «Tentações de Santo Antão», de Bosch, exemplo máximo da pintura flamenga do início do século XVI, «São Jerónimo», de Dürer, inovadora representação do Santo, e importantes obras de Memling, Rafael, Cranach ou Piero della Francesca. Destaque ainda para a «Baixela Germain», um impressionante serviço de mesa do século XVIII, encomendada por D. José I à famosa oficina parisiense de Thomas Germain, o ourives de Luís XV de França.