Existe uma sensação que muitos empreendedores conhecem bem, a de que o chão se move debaixo dos pés. Sempre foi assim, mas atualmente essa sensação é mais comum. Mal se entende um comportamento do mercado, ele muda. O que ontem era uma aposta segura, hoje exige ser repensado, e amanhã, talvez, abandonado por completo.

Vivemos um tempo em que a mudança deixou de ser um acontecimento pontual para se tornar o pano de fundo permanente de quem decide criar e gerir um negócio. A tecnologia avança a um ritmo que poucos conseguem acompanhar, os hábitos dos clientes transformam-se de um ano para o outro, e a concorrência pode chegar de um lugar que nem sequer existia há meia dúzia de meses.

É um cenário que gera preocupação e que devemos encarar com ações, em vez de ficar parados. Responder depressa aos desafios é essencial e, mais do que isso, importa perceber que a incerteza, por mais desconfortável que seja, traz consigo uma oportunidade rara, a de reinventar, experimentar e construir algo mais resistente.

Tenho uma empresa desde os meus 18 anos, numa área que já passou por algumas transformações ao longo dos anos, mas nada como aquela que vivemos agora. O marketing digital está a mudar a uma velocidade enorme e o caminho divide-se em várias direções. Perceber depressa qual escolher é um dos grandes desafios de quem trabalha nesta área.

Mas, como digo com muita frequência, para além dos algoritmos, existem pessoas. E é essa a base de tudo. A comunicação faz-se de pessoas para pessoas, é aí que está a essência de tudo o que se constrói e do caminho a escolher.

O empreendedorismo não é diferente. Devemos ter sempre em mente que estamos a ligar com pessoas e a resolver problemas de pessoas, não a preencher folhas de cálculo nem a perseguir métricas pelo simples prazer de as ver subir. Os números importam, claro, mas são apenas o reflexo de algo mais profundo, a confiança que conseguimos criar, o valor que entregamos, a forma como fazemos alguém sentir-se compreendido.

É por isso que, mesmo quando tudo à nossa volta muda, as ferramentas, as plataformas, as tendências, há algo que se mantém estável, as pessoas continuam a querer ser ouvidas, respeitadas e bem servidas. Quem nunca perde isto de vista tem um ponto de apoio firme, por mais agitado que esteja o mercado.

E talvez seja essa, no fim de contas, a verdadeira vantagem competitiva de quem empreende hoje, não a tecnologia mais recente nem o algoritmo melhor dominado, mas a capacidade de não esquecer que, do outro lado de cada ecrã, está sempre uma pessoa.

É com essa convicção que olho para o próprio percurso da minha empresa. Atualmente, mantemos um caminho de sucesso, em termos de trabalho e de volume de faturação, continuamos a crescer de forma sustentável. Mas, desde o ano passado, iniciámos um processo de expansão para novas áreas de negócio, com o objetivo de explorar oportunidades fora dos setores onde sempre tivemos grande experiência.

Esta transformação está muito ligada às novas dinâmicas que vão surgindo no mercado. A ideia é aplicar o nosso conhecimento e experiência em empreendedorismo e marketing digital a negócios ainda por explorar pela empresa, garantindo uma evolução mais sólida e um crescimento consistente. É também uma forma de nos prepararmos para o futuro e de construir bases para sair da zona de conforto e navegar novos mares.

Fábio Jesuíno é empresário

Crónica publicada em: