O Museu Municipal de Tavira inaugura, no dia 27 de junho, pelas 18h, a exposição «Museu das Expectativas» de Pedro Gomes, com curadoria de João Silvério. A mostra ocupa a nave da Ermida de São Roque de Tavira e permanecerá em exibição até 26 de setembro.
Esta é a segunda etapa de uma trilogia que o artista tem vindo a desenvolver, desde «Museu das Microagressões», apresentada em Lisboa, e que encerrará com um terceiro capítulo, «Museu Pessoal». Para Tavira, Pedro Gomes desenha uma instalação que simula, por dentro, o espaço de um museu de Belas Artes. Cavaletes e expositores convocam a memória da museografia moderna, mas onde se esperariam telas, encontram-se tecidos do quotidiano doméstico, estampados com padrões de inspiração modernista e Pop, ao lado de materiais pobres e descartados, retirados da sua função original e devolvidos como matéria de obra. O conforto do estofo cruza-se, assim, com a aspereza do desperdício industrial, numa tensão que o próprio título da exposição anuncia: entre o que se espera e o que finalmente se encontra, entre o desejo e a deceção.
É dessa ambiguidade, entre o ornamento e a sua memória, entre o brilho do novo e o gasto do usado, que nasce a estranheza, e também o prazer, de percorrer esta instalação. Uma única obra, um único título, para uma experiência que se quer, simultaneamente, visual e física, percorrida como quem atravessa um museu que talvez nunca tenha existido ou que existe apenas como expetativa.
Pedro Gomes nasceu, em 1972, em Nampula, Moçambique. Vive e trabalha em Lisboa. Fez um MFA, no Chelsea College of Art, em Londres, e um Curso Avançado no Ar.Co – Centro de Arte e Comunicação Visual, em Lisboa, tendo sido bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Expõe desde a década de 1990, com obra representada em coleções como o Museu Calouste Gulbenkian – Coleção Moderna, a Coleção António Cachola (MACE – Museu de Arte Contemporânea de Elvas), a Coleção de Arte Fundação EDP, o MUDAS – Museu de Arte Contemporânea da Madeira, a Fundação PLMJ e a Coleção de Arte do Estado.
A curadoria é de João Silvério (Lisboa, 1962), mestre em Estudos Curatoriais pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. É, atualmente, curador da coleção de arte contemporânea da Fundação PLMJ, tendo desempenhado a mesma função na coleção de arte contemporânea da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento entre 1998 e 2019. Iniciou, em 2003, a sua atividade como curador em projetos independentes, criando, em 2007, o projeto EMPTY CUBE, dedicado à apresentação de trabalhos de artistas, designers e arquitetos, tendo fundado, em 2018, a editora independente «emptycube_reader». Foi presidente da secção portuguesa da AICA – Associação Internacional de Críticos de Arte, entre 2013 e 2015, e escreve, regularmente, sobre projetos artísticos em catálogos, publicações e websites.
Este projeto contou com o apoio da Direção-Geral das Artes, no âmbito do Programa de Apoio a Projetos – Artes Visuais 2024 (Criação, Programação e Edição).
