A porta de madeira abre-se devagar. A luz atravessa o pátio e revela um espaço que, mais do que paredes, guarda histórias. Foi aqui que nasceu, em 1860, Manuel Teixeira Gomes: industrial, político, escritor, diplomata, viajante incansável, colecionador e primeiro Presidente da República algarvio. Homem livre, escolheu abdicar do cargo e viver o exílio voluntário na Argélia, junto ao mar e ao deserto.

O edifício onde cresceu foi muito modificado ao longo dos anos, e pouco resta da sua forma original. O futuro Núcleo Museológico da Casa Manuel Teixeira Gomes, com um investimento superior a 4 milhões de euros, comparticipado por verbas do FEDER, não será uma réplica nostálgica, mas sim um espaço narrativo. A sua história será contada através de peças vindas do Museu de Portimão e de outras coleções nacionais, reunindo documentos, objetos e memórias que dão corpo às múltiplas dimensões de Teixeira Gomes.

Mas a Casa não estará sozinha. O projeto ambiciona integrar-se num futuro quarteirão cultural, onde se destacam edifícios vizinhos como o Palacete Domingos Leonardo Vieira — que já foi alfândega e posto da Guarda Fiscal — e outros espaços emblemáticos do centro de Portimão.

Ao lado da Casa, surge também um anexo peculiar, ligado ao espaço conhecido como «2.ª Tralha», antiga casa de antiguidades. Nesse edifício, com duas grandes salas, vão realizar-se exposições temporárias ligadas a Teixeira Gomes, mas também tertúlias e momentos musicais, ao piano que já ali se encontra.

Previsto arrancar no início de 2026, o Núcleo Museológico deverá abrir ao público em 2027. Quando isso acontecer, Portimão terá não apenas um espaço de memória, mas o coração de um quarteirão cultural: um lugar vivo, de encontro entre artes, património e pensamento, à altura da figura que nele nasceu.