Celebrou-se, no passado dia 10 de Junho, o «Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas».
O simbolismo desta data ultrapassa o mero feriado nacional comemorativo de um país com mais de oito séculos de história. Evoca um Poeta, autor de Os Lusíadas, a obra que canta a epopeia dos Descobrimentos e os caminhos da diáspora portuguesa, talvez uma das maiores e mais abrangentes da História, desde o Êxodo Judaico.
Desde sempre, a região algarvia esteve intimamente associada à diáspora portuguesa. Dela partiram homens, jovens e, muitas vezes, famílias inteiras para todas as praças do Norte de África, para o povoamento da Madeira e dos Açores, para a fixação portuguesa em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné, Angola, Moçambique, Índia, Macau, Timor, América Latina e Austrália.
A diáspora algarvia não se cingiu aos séculos XV e XVI. Prolongou-se até à atualidade, alcançando praticamente todos os recantos habitados do planeta. Com frequência, recebo pedidos de informação sobre ascendências algarvias de pessoas hoje dispersas por toda a Europa, continente americano, Médio Oriente e Oceânia, mas também em lugares tão remotos como o Alasca ou o Havai.
Esta diáspora foi muito mais do que um simples movimento migratório. Fixou-se, criou raízes e gerou descendência que hoje se encontra espalhada pelos quatro cantos do mundo.
Os estudos de ADN têm vindo a demonstrar a existência de proximidades genéticas, resultantes de ascendências comuns, com indivíduos cuja existência desconhecíamos por completo. Muitos dos que atualmente escolhem Portugal para viver não estão, afinal, a fazer mais do que regressar à terra de onde partiram os seus antepassados.
No momento em que celebramos o Dia das Comunidades Portuguesas, parece-me oportuno destacar a presença algarvia na ascendência de algumas personalidades de projeção internacional:
Simón Bolívar — descendente, por duas linhas genealógicas, do portimonense João Fernandes Leão Pacheco;
Carlos Drummond de Andrade, poeta brasileiro — descendente do portimonense Gonçalo Simões Chassim;
Daniela Ruah, atriz — descendente do farense Isaac Bentes Ruah;
Frei Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil — filho do farense António da França Galvão;
Shawn Mendes, cantor — filho do lacobrigense Manuel Mendes;
Paco de Lucía, guitarrista — filho de Lúcia Gomes, natural de Castro Marim.
Se quisermos recuar ainda mais no tempo, até à união de D. Afonso III com Madragana, filha do alcaide de Faro, da qual nasceram dois filhos, poderemos acrescentar a esta lista praticamente todos os atuais reis da Europa e pretendentes aos tronos europeus.
O Algarve está presente em todo o mundo através da sua herança genética.
Não se trata apenas de um passado histórico. É um fio condutor transmitido de geração em geração, que se torna presente em cada descendente de algarvios, independentemente do local onde viva ou da distância temporal que o separa dos seus antepassados.
Um legado discreto, mas contínuo, que o Algarve oferece à humanidade através da própria existência física de milhões de seres humanos.
Se quisermos recuar ainda mais no tempo, até à união de D. Afonso III com Madragana, filha do alcaide de Faro, da qual nasceram dois filhos, poderemos acrescentar a esta lista praticamente todos os atuais reis da Europa e pretendentes aos tronos europeus.
O Algarve está presente em todo o mundo através da sua herança genética.
Não se trata apenas de um passado histórico. É um fio condutor transmitido de geração em geração, que se torna presente em cada descendente de algarvios, independentemente do local onde viva ou da distância temporal que o separa dos seus antepassados.
Um legado discreto, mas contínuo, que o Algarve oferece à humanidade através da própria existência física de milhões de seres humanos.
Nuno Campos Inácio é editor e escritor
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