O Município de Olhão voltou a assinalar o Dia do Pescador, celebrado a 31 de maio, com um conjunto de iniciativas dedicadas aos profissionais do mar e à forte ligação da cidade à pesca e à aquacultura. A iniciativa decorreu no Auditório Municipal Maria Barroso, onde se homenagearam os homens e mulheres que diariamente contribuem para um dos setores mais emblemáticos da identidade olhanense.

O programa teve início com a palestra «Valorização e Sustentabilidade de Recursos Marinhos Partilhados – O Caso do Atum em Portugal», um momento de reflexão sobre a importância da preservação dos recursos marinhos e da sustentabilidade da atividade piscatória. Depois, aconteceu a cerimónia de entrega de distinções aos profissionais do setor, reconhecendo o trabalho e dedicação de pescadores e outros agentes ligados ao mar. A celebração terminou com uma demonstração de ronqueio de atum e degustação, proporcionando ao público uma experiência ligada às tradições gastronómicas e marítimas da região.

O Dia do Pescador é uma data simbólica para Olhão, cidade historicamente ligada à Ria Formosa e ao mar, sendo uma oportunidade para valorizar o papel da pesca na economia, cultura e identidade local. “Estes homens constituem uma herança viva de conhecimento, coragem e identidade, mas uma palavra também para as famílias, pois quem vive do mar nunca o faz sozinho. Há sempre quem espere, apoie e aguente a incerteza”, declarou Ricardo Veia Calé, presidente do Município de Olhão, antes de se distinguirem as embarcações com maior valor de descarga na Lota de Olhão em 2025, nas modalidades de arrasto, cerco, polivalente local, polivalente costeira e armação, assim como o maior produtor aquícola, o pescador com maior volume de vendas, a mulher na pesca, a mulher na aquacultura, o pescador em progressão, o pescador mais novo e o mais antigo do concelho.

Na cerimónia foram igualmente atribuídos os prémios Homem e Mulher na Indústria Conserveira, o Prémio Mérito e o Prémio Carreira, e Ricardo Veia Calé frisou que “cada um destes homenageados tem um rosto e uma história, construída todos os dias sem olhar ao frio, à chuva, às madrugadas, às esperas e aos regressos — uma vida feita de sacrifício e de amor ao que se faz”. “O mar é vasto, exigente e imprevisível, mas a determinação do pescador é ainda maior. E a presença da mulher neste setor não é uma novidade, é uma constante que a história teima em não registar como merece. Hoje registamos, com gratidão”, apontou o edil olhanense, que reconheceu que o setor enfrenta hoje desafios concretos, tais como as alterações climáticas, os custos de operação elevados, a pressão sobre os recursos e uma renovação geracional que tarda. “Mas a capacidade de adaptação e a resiliência sempre foram marcas dos olhanenses e é com essa convicção que o Município tem trabalhado para que a pesca e a aquacultura tenham futuro, competitividade e capacidade de atrair novas gerações, criando oportunidades e investimento. Olhão continua a afirmar-se como referência nacional na economia azul, o que, para nós, é um orgulho. Mas a verdade é que nenhuma conquista acontece por acaso. Ao longo dos anos, diferentes executivos municipais têm assumido, junto dos sucessivos Governos e das entidades com responsabilidades sobre o setor, uma posição firme na defesa dos nossos pescadores, aquicultores e das suas famílias. Uma ação persistente, muitas vezes silenciosa, mas determinada, para exigir melhores condições de trabalho, reforço das infraestruturas, mais segurança e maior valorização de uma atividade que continua a ser parte essencial da identidade e da economia de Olhão”, salientou.

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Texto: Daniel Pina | Fotografia: Daniel Pina

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