Não nos falta identidade própria, reconhecimento externo e conhecimento sobre as nossas potencialidades.

Também não nos faltam autoridades, entidades, associações e representatividade regional ao nível do ensino superior, do mundo científico, da investigação.

Até já ultrapassámos o patamar de desenvolvimento e rendimento médio per capita regional que nos tirou fora das regiões de objetivo 1 dos apoios da União Europeia.

Já sabemos que, a partir do próximo ano, o Orçamento comunitário vai virar-se para Leste e os recursos dos Quadros Plurianuais vão privilegiar a tecnologia, a competitividade, o cluster da Defesa.

Também, por via disso, vamos assistir a uma decisão mais concentrada em Bruxelas das decisões de cofinanciamento e o mais que «sobrar» para as políticas de Coesão Regional, Lisboa vai fazer aumentar o seu poder de distribuição.

De uma forma muito pragmática, agora já é tarde para uma decisão que se deveria ter tomado há muito e que é assumir uma plataforma de representação direta em Bruxelas para conhecer, captar a atenção e fazer valer os nossos interesses como as demais regiões europeias fazem, através de inscrição no registo de transparência (tal e qual) junto das DGs e da CE da União Europeia.

Sim, parte substancial dos recursos europeus são centralizados nas Iniciativas Comunitárias Diretas e as de Cooperação transfronteiriça entre Estados Membros e entre estes e países terceiros ou em fase de adesão à nossa casa comum. Temos estado atados ao habitual e pouco influentes nas medidas e ainda muito menos no seu desenho prévio na fase de discussão nos órgãos próprios.

Portanto, o que será normal seria fazer como os demais atores que assumem o desenvolvimento – organizar, de forma transparente, íntegra e com prestação de contas sobre o seu serviço de interesse público à região, tal plataforma profissional permanente e partilhada entre os municípios aderentes, estabelecimentos de ensino superior, associações empresariais e outros agentes com dimensão para a cooperação que possam participar querendo.

Não temos ainda a Regionalização Administrativa, nunca quisemos ter uma Sociedade de Desenvolvimento Regional, não temos tal organização associativa de representação e vamos dando conta que «a culpa» é sempre dos outros.

Podemos organizar-nos melhor e assumir os nossos interesses comuns, que são afinal os interesses de desenvolvimento do espaço europeu em que estamos de corpo inteiro, enquanto cidadãos, empresas, instituições. Todos.

No princípio hão de haver custos, pois partilhemos essa responsabilidade até ao momento em que as candidaturas, projetos em parceria, ações e estudos sejam suportados pelos próprios trabalhos de tal plataforma que vai gerar lucro social e económico a transferir para a região em função das candidaturas com sucesso.

«Mas e quem vai para lá e tal?...» . Mas todos nós conhecemos algarvios que já lá estão e já conhecem o aparelho comunitário – convidemo-los!

Não vejo outro caminho que não seja de cuidarmos do nosso futuro, pelo menos, usando os mesmos instrumentos formais que os demais. Menos que isso é não cumprir a nossa missão de forma cabal, tendo medo de discutir o que nos interessa em comum e defendermos tais projetos para a região. O Algarve merece.

Paulo Neves é um «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha

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