O Auditório Pedro Ruivo, em Faro, recebeu, no dia 7 de junho, um espetáculo memorável dos Recante, coletivo musical que continua a afirmar-se como uma das mais originais propostas de valorização e renovação do património sonoro alentejano. Num concerto marcado pela emoção, pela experimentação e pelo respeito pelas raízes culturais, os Recante voltaram a unir forças com o Grupo Coral Raízes do Cante, criando uma ponte entre a tradição secular do cante alentejano e as sonoridades contemporâneas que caracterizam o projeto.
Antes do início da atuação, o público foi convidado a mergulhar num momento de poesia através de «Vertebra», introduzindo a atmosfera intimista que viria a marcar toda a noite. A partir daí, sucederam-se interpretações que revisitaram o cancioneiro tradicional com uma nova linguagem musical, enriquecida por elementos eletrónicos, ambientes sonoros imersivos e uma forte componente emocional.
Ao longo do espetáculo foram apresentados temas bem conhecidos da tradição popular, como «Amora Madura», «Pelo Toque da Viola», «Pêra Verde» e «Fui Colher Uma Romã». Houve ainda espaço para mostrar o mais recente single do grupo, «Meninas Estás à Janela», e para surpreender o público com a estreia absoluta de «Correio da Manhã», o primeiro original dos Recante.
A atuação em Faro acontece numa fase de grande visibilidade para o coletivo. Depois de esgotarem duas apresentações na Casa do Alentejo, em Lisboa, durante o mês de fevereiro, os Recante continuam a consolidar o seu percurso artístico, conquistando públicos de diferentes gerações. O momento é ainda mais especial por surgir logo após a participação do grupo no programa televisivo «Simply The Best», da TVI, onde alcançou o segundo lugar na final, demonstrando o crescente reconhecimento do seu trabalho a nível nacional.
Com Maria João Jonas na voz, Luís Caracinha no baixo e teclados, Ivo Martins na bateria e Miguel Guerreiro nos teclados, os Recante apresentaram em Faro um espetáculo que confirmou a maturidade artística do projeto e a sua capacidade de reinventar a tradição sem a descaracterizar. Entre a herança cultural e a inovação musical, o coletivo continua a provar que o cante alentejano pode dialogar com o presente e inspirar o futuro, mantendo-se vivo, relevante e profundamente ligado à identidade portuguesa.
Texto: Ricardo Coelho | Fotografia: Ricardo Coelho
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