Há candidaturas que nascem de grandes máquinas institucionais, e há candidaturas que nascem da visão, da persistência e do amor verdadeiro pelo património. As candidaturas da Igreja da Misericórdia de Tavira e da Igreja de Santa Maria do Castelo – Tavira às Novas 7 Maravilhas de Portugal® são o resultado de uma iniciativa exclusivamente privada, construída ao longo de cerca de uma década, e agora transformada num desígnio que pode orgulhar toda a região algarvia. Estas duas candidaturas, ambas integradas na categoria Religião, representam um caso raro e exemplar de cooperação patrimonial em Portugal. São fruto da parceria entre a Santa Casa da Misericórdia de Tavira e a Paróquia de Tavira, através da sua empresa paroquial Artgilão, numa estratégia conjunta que tem vindo a ganhar corpo há cerca de 10 anos.
Tudo começou quando a Santa Casa da Misericórdia de Tavira decidiu procurar formas de rentabilizar o seu património para sustentar e prolongar o processo de recuperação que vinha sendo desenvolvido desde 2010. Em paralelo, a Paróquia de Tavira avançou com a criação da empresa paroquial Artgilão, precisamente para rentabilizar, promover e dar nova visibilidade ao vasto património religioso sob sua responsabilidade. Desta convergência nasceu uma parceria sólida, continuada e visionária, que hoje coloca Tavira no centro de uma das mais importantes montras nacionais de valorização patrimonial.
Estas são as únicas igrejas algarvias em concurso nesta edição das Novas 7 Maravilhas de Portugal®, por isso, num universo regional competitivo, Tavira é o rosto do património religioso do Algarve nesta corrida nacional. A Igreja da Misericórdia de Tavira surge no concurso como um monumento maior da arte e da consciência humanista no Sul do país. Fundada em 1541 pela Santa Casa da Misericórdia, é apresentada pela organização como a mais notável expressão da arquitetura renascentista no Algarve, destacando-se o seu extraordinário portal escultórico, os retábulos barrocos e os painéis de azulejos de 1760, que representam as 14 obras de misericórdia.
A Igreja de Sta. Maria do Castelo – Tavira, por seu lado, impõe-se como um verdadeiro palimpsesto da história portuguesa: um monumento onde convivem a verticalidade gótica, a exuberância manuelina e as marcas neoclássicas deixadas após o terramoto de 1755. É, como refere a própria candidatura, muito mais do que um edifício religioso: é um lugar onde se cruzam Reconquista, memória nacional e identidade cultural profunda.
