Em Tavira, as noites de verão ganham vida com a Mostra de Cinema ao Ar Livre, organizada pelo Cineclube de Tavira. Este ano, o evento, que atrai milhares de pessoas de várias nacionalidades e geografias, decorre de 16 a 26 de julho e de 6 a 16 de agosto, nos Claustros do Convento do Carmo, e as sessões têm início às 21h30.

Sob o mote «música, amor e desejo de transformação», a 26.ª edição tem um programa imperdível, com 22 longas-metragens, uma curta (muito especial), dois filmes de animação, quatro documentários e três filmes sobre música. “Esta é a Mostra com o programa mais redondo que já preparei. Com isto, quero dizer que há filmes com registos muito diferentes, para públicos muito distintos. É uma programação onde há muita ternura, muito riso, muito amor e muita esperança. Alguns filmes são uma crítica forte ao tempo em que vivemos, mas até esses nos fazem sonhar com um mundo melhor, lembrando-nos que não podemos desistir”, descreve Candela Varas, programadora da Mostra de Cinema ao Ar Livre.

«One to One: John & Yoko», um documentário codirigido por Kevin Macdonald e Sam Rice-Edwardsde, é o filme que marca a noite de abertura, a 16 de julho. Esta obra leva-nos até Nova Iorque, num tempo marcado pela contestação e pelo desejo de mudança. A partir de material de arquivo pouco explorado, regressamos ao início dos anos 70, entre o concerto «One to One» e a batalha de Lennon contra a deportação.

No segundo dia do evento cinematográfico, o público pode apreciar a divertida história de «Um Poeta», de Simón Mesa Soto e na noite seguinte, sábado, é exibido «O Agente Secreto», de Kleber Mendonça Filho, nomeado para quatro categorias nos Óscares. Já no domingo, dia 19, há cinema em dose dupla. Para além do documentário «I Am Martim Parr», de Lee Shulman, o convite é para uma imersão nas paisagens do Algarve, através da curta-metragem da tavirense Inês Nunes. «A Solidão dos Lagartos» venceu o prémio de Melhor Curta-metragem Portuguesa, no IndieLisboa, e passou pelos festivais de Cannes e de San Sebastián. O elenco do filme é composto por habitantes da região, alguns deles trabalhadores das salinas, onde foi filmada grande parte da narrativa. A noite, que assinala a estreia comercial da obra, terá a presença da realizadora e do elenco para uma conversa com quem está na plateia.

Ainda em julho, destaque para o filme espanhol «Surda», uma longa-metragem assinada pela cineasta Eva Liberdad que venceu três prémios Goya e conquistou o Prémio do Público da secção Panorama da Berlinale. No dia 26, a fechar a primeira fase deste encontro dedicado à sétima arte, é exibido «Arco», uma história de ficção científica retro-futurista, considerada uma das mais belas animações desta década.

Em agosto, as emoções continuam e as surpresas também. A reabertura, no dia 6, é marcada com o poderoso filme «O Olhar Misterioso do Flamingo», de Diego Céspedes, considerado uma obra-prima do cinema latino-americano. Nesta edição, os filmes de animação também foram escolhidos a dedo. No dia 9, «A Pequena Amélie» promete derreter corações. A ternurenta história de uma menina belga a viver no Japão é baseada na autobiografia da escritora Amélie Nathomb.

Dias depois, o público «vai de férias» até à Sardenha, na Itália, com a família francesa de «L’Aventura». A divertida película de Sophie Letourneur tem apaixonado a crítica e os espetadores, por onde quer que passa. Sexta-feira, 14 de agosto, é apresentada a longa-metragem documental «Orlando Pantera», centrada na vida do músico e compositor cabo-verdiano. O filme revisita o seu legado e revela a influência profunda que continua a exercer sobre a música cabo-verdiana contemporânea. A sessão conta com a presença da realizadora Catarina Alves Costa. 

A Mostra encerra no dia 16, com a apresentação de uma obra descrita pela crítica internacional como uma das mais marcantes do cinema europeu recente: «O Riso e a Faca», do português Pedro Pinho. O cineasta também passará pelos Claustros do Convento do Carmo, tornando a sessão de encerramento ainda mais especial.

À semelhança do ano anterior, os bilhetes para cada sessão custam 6 euros para o público em geral e 4 euros para estudantes e associados do Cineclube. A organização da Mostra de Cinema ao Ar Livre envolve dezenas de voluntários, parceiros e instituições públicas e privadas. Para levar a cabo a iniciativa, o Cineclube de Tavira conta com o apoio da Câmara Municipal de Tavira, ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual e Europa Cinemas. De realçar ainda o apoio do tecido empresarial local, que faz questão de patrocinar a iniciativa e estabelecer parcerias fortes com o Cineclube.