As tropas inglesas de Robert Devereaux (Conde de Essex) haviam desembarcado na praia, em Farrobilhas, no dia anterior.
Todas as expetativas estavam apostadas que iriam atacar entre Lagos e Sagres, como 9 anos antes fizera já o Corsário Francis Drake.[i]
As tropas portuguesas, com o Bispo D. Fernando Martins Mascarenhas (um dos cinco do Conselho de Filipe I de Portugal, II de Castela) esperavam o então «preferido»[ii] de Isabel I, de Inglaterra, enquanto Faro era arrasada e a sua população se refugiava pela serra acima, até S. Brás de Alportel.
Ambos, Drake e Devereaux, em momentos diferentes, imediatamente antes das respetivas investidas no Algarve, haviam atacado Cádis e assim golpeado estes territórios unidos pela Coroa, por a «Invencível Armada», ter partido de Lisboa (1588) para atacar Londres, com milhares de embarcações (onde Drake havia tido também um papel decisivo na vitória marítima por parte de Inglaterra).
Devereaux, por sua vez, já tinha sido presença entre nós (neste caso na defesa da mais antiga Aliança do mundo) em Peniche (1589), na tentativa de apoiar D. António, Prior do Crato contra os interesses de continuar a impor Castela, com Filipe I à frente, também da coroa de Portugal (regime dual).
Aliás, também Francis Drake fez parte (em frente a Cascais) dessas forças que deveriam destronar os interesses peninsulares dos rivais ingleses.
Deste episódio, em que os portugueses ficaram divididos, resultou a expressão de frustração que ainda conhecemos como «dos amigos de Peniche» (os que não chegam a tempo ou se aproveitaram de uma situação).
Robert Devereaux veio a Faro (faz hoje, precisamente, 430 anos), saqueou, incendiou e partiu com um património em peças de bronze, a biblioteca monumental dos Bispos D. Jerónimo Osório e D. Fernando Martins Mascarenhas, figuras eminentes do saber e influência em Roma e na Universidade de Coimbra (sendo que o último desempenhou ainda o cargo de Inquisidor-mor).
As festas das tochas floridas do Aleluia comemoraram ainda o facto de, há centenas de anos, os moços católicos de S. Brás de Alportel terem dado uma corrida, pela serra abaixo, que fez desistir os ingleses de então nos fazerem «mais maldades».
E continuamos a lembrar estes episódios pois que os nossos aliados mais antigos nos atacaram, mas por causa da guerra que iniciámos a partir de Lisboa sob decisão das coroas unidas por Castela.
Verdade que os ingleses, protestantes, tinham outro interesse em relação a Portugal, a joia do atlântico – O Brasil, onde não conseguiram alcançar sucesso.
Hoje, convidamos a visitar o espaço de exposição para a divulgação do conhecimento, alojada na antiga capela do paço episcopal que foi recuperada, e assim conhecer as réplicas dos artefactos e equipamentos que serviram para que Faro, e o Algarve, tivessem estado à frente do seu tempo, com o primeiro livro impresso em Portugal, pelas mãos de um judeu Samuel Gacon, assim como a história da imprensa com o prelo de Gutenberg, a começar pela da escrita na pedra cuneiforme ao monge copista.
Encontrará os fac-similes da primeira bíblia imprensa e do Pentateuco de Faro e uma homenagem, a ler nas coincidências, sobre o patrono de Faro.
Dom Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve (Auxiliar desde 30 junho de 2000 e Bispo Diocesano desde abril de 2004 a 14 de julho 2026) abriu as portas da sua Casa Episcopal para que, com tolerância, possamos reencontrar-nos no conhecimento que une civilizações.
Tente visitar este espaço compreendendo um pormenor daquelas paredes: foi casa da Diocese, logo depois destruída no referido ataque a Faro. Reconstruída soçobrou depois com o grande terramoto, sendo reerguida outra vez. Foi mais tarde tomada pelas forças da implantação da república, sendo que a capela foi transformada em ginásio da Marinha, até que o encontro de forças do Círculo Teixeira Gomes, Manuel de Brito (Sul, Sol e Sal), a Fundação das Comunicações, a Associação Ibn Qâsí e de tantos mecenas, com a Diocese, a recuperaram e preencheram ao lado da biblioteca do Bispo, também recentemente renovada por adesão cidadã com a nossa Igreja.
Renovo os agradecimentos ao Bispo do Algarve que, no seu humanismo, profundamente religioso, acessível, soube vincar entre nós, com humildade firme, a grande caraterística do Cristianismo neste encontro e reencontro das civilizações e culturas em presença, o espírito em Faro.
Nunca desistir de retirar ensinamentos da nossa história. O mais virá…
Paulo Neves é um «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha
As festas das tochas floridas do Aleluia comemoraram ainda o facto de, há centenas de anos, os moços católicos de S. Brás de Alportel terem dado uma corrida, pela serra abaixo, que fez desistir os ingleses de então nos fazerem «mais maldades».
E continuamos a lembrar estes episódios pois que os nossos aliados mais antigos nos atacaram, mas por causa da guerra que iniciámos a partir de Lisboa sob decisão das coroas unidas por Castela.
Verdade que os ingleses, protestantes, tinham outro interesse em relação a Portugal, a joia do atlântico – O Brasil, onde não conseguiram alcançar sucesso.
Hoje, convidamos a visitar o espaço de exposição para a divulgação do conhecimento, alojada na antiga capela do paço episcopal que foi recuperada, e assim conhecer as réplicas dos artefactos e equipamentos que serviram para que Faro, e o Algarve, tivessem estado à frente do seu tempo, com o primeiro livro impresso em Portugal, pelas mãos de um judeu Samuel Gacon, assim como a história da imprensa com o prelo de Gutenberg, a começar pela da escrita na pedra cuneiforme ao monge copista.
Encontrará os fac-similes da primeira bíblia imprensa e do Pentateuco de Faro e uma homenagem, a ler nas coincidências, sobre o patrono de Faro.
Dom Manuel Neto Quintas, Bispo do Algarve (Auxiliar desde 30 junho de 2000 e Bispo Diocesano desde abril de 2004 a 14 de julho 2026) abriu as portas da sua Casa Episcopal para que, com tolerância, possamos reencontrar-nos no conhecimento que une civilizações.
Tente visitar este espaço compreendendo um pormenor daquelas paredes: foi casa da Diocese, logo depois destruída no referido ataque a Faro. Reconstruída soçobrou depois com o grande terramoto, sendo reerguida outra vez. Foi mais tarde tomada pelas forças da implantação da república, sendo que a capela foi transformada em ginásio da Marinha, até que o encontro de forças do Círculo Teixeira Gomes, Manuel de Brito (Sul, Sol e Sal), a Fundação das Comunicações, a Associação Ibn Qâsí e de tantos mecenas, com a Diocese, a recuperaram e preencheram ao lado da biblioteca do Bispo, também recentemente renovada por adesão cidadã com a nossa Igreja.
Renovo os agradecimentos ao Bispo do Algarve que, no seu humanismo, profundamente religioso, acessível, soube vincar entre nós, com humildade firme, a grande caraterística do Cristianismo neste encontro e reencontro das civilizações e culturas em presença, o espírito em Faro.
Nunca desistir de retirar ensinamentos da nossa história. O mais virá…
Paulo Neves é um «ilhéu», mas nenhum homem é uma ilha
Crónica publicada em:
REVISTA ALGARVE INFORMATIVO #534 by Algarve Informativo - Issuu
[i] Interessante que a única ilustração conhecida da casa do Infante e Fortaleza de Sagres, terá sido feita mesmo antes do ataque.
[ii] Ainda assim, foi executado (5 anos depois), por ordem da própria Rainha, por alta traição.
[i] Interessante que a única ilustração conhecida da casa do Infante e Fortaleza de Sagres, terá sido feita mesmo antes do ataque.
[ii] Ainda assim, foi executado (5 anos depois), por ordem da própria Rainha, por alta traição.

