A Associação 289, em Faro, abre portas, no dia 11 de julho, às 18h, à exposição «Aula de Retórica: Amor e Carne de Talho» de Ricardo Cruzes e Mirian Tavares e a uma nova intervenção no Project Room, assinada pela artista Rosa Guedes.
Sob o título «Aula de Retórica», o projeto de Ricardo Cruzes e Mirian Tavares constrói-se como um conjunto de três exposições que se reinventam a cada contexto. O nome indicia um ponto de partida, mas cada exposição é pensada especificamente para o espaço que a acolhe, dialogando com as particularidades do lugar em que se situa. Comum às três exposições e estruturante do projeto é a reflexão em torno do que teve início em 1755. A partir dessa rutura, interrogamo-nos: o que emerge da derrocada? Pensamos no silêncio e na matéria, na carne e no vinho, no fogo. Nos meandros que separam o grotesco do sublime. Pensamos o amor. O mar, a superfície e o azul profundo.
«Amor e Carne de Talho» evoca o subsídio literário do Marquês de Pombal que instituiu o «imposto sobre o vício», para investir na criação de escolas laicas após a expulsão dos Jesuítas. Pagava-se mais sobre a carne e sobre o vinho para que as crianças pudessem ter aulas de retórica, matéria fundamental, e fundante, do novo regime. A palavra, e sua organização num discurso, adquirem peso num país que se reinventa após a destruição. Movemo-nos entre tempos, num percurso de idas e voltas, cruzando épocas e sentidos, enquanto refletimos sobre a derrocada que se tornou um vir-a-ser na contemporaneidade. Através de dispositivos diversos, a exposição convoca memórias pessoais e históricas que se misturam como para lembrar que a arte é um lugar de negociações de afetos, de sentidos e de vivências.
Paralelamente, o Project Room, espaço dedicado à experimentação da associação, recebe o projeto de Rosa Guedes, com curadoria de Joana R. Sá. O ponto de partida da investigação de Rosa Guedes encontra-se numa série de textos autobiográficos escritos ao longo do Mestrado em Processos de Criação, concebidos como registos de diário a partir de uma experiência de violência sexual e dos processos emocionais que lhe sucederam. A ambiguidade criada entre a superfície da tela e o espaço envolvente impede perceber onde termina a obra e onde começa a arquitetura, sugerindo que a memória traumática ultrapassa qualquer limite físico.
Ambos os projetos estarão patentes até 22 de agosto, reforçando a missão da Associação 289 em promover a arte contemporânea e o diálogo cultural na região do Algarve. Podem ser visitados, quintas e sextas-feiras, das 15h às 19h, e aos sábados, das 10h às 14h, na Rua Dr. Mariana Amélia Machado Santos, n.º 1, em Faro.
