Na Bordeira, a paisagem não se vê apenas — ouve-se. É o som seco do malho a bater na pedra, cadenciado como um tambor. É o fôlego quente do acordeão, que enche ruas, bailes e charolas. Duas linguagens que moldam a identidade da aldeia: a força da cantaria e a alma da música popular.

Dessa herança nasce o Centro Cultural e de Inovação da Bordeira. A comunidade, inquieta e criativa, queria um espaço onde pudesse reunir-se e mostrar ao mundo o que a define. Entre paredes novas e memórias antigas, ergue-se agora um lugar com salas polivalentes para concertos, oficinas e residências criativas, mas também dois museus: o Museu da Pedra e o Museu do Acordeão, ambos sob a alçada do Museu Municipal de Faro.

O Centro Cultural e de Inovação da Bordeira, promovido pela autarquia, é cofinanciado pelo CRESC ALGARVE 2020 e pelo ALGARVE 2030. Insere-se no Plano de Ação de Desenvolvimento dos Recursos Endógenos (PADRE) e tem como missão valorizar dois pilares da freguesia de Santa Bárbara de Nexe: a pedra e a música. Mais do que um edifício, pretende ser um motor de emprego, inovação e coesão territorial, abrindo as portas de um futuro ancorado na identidade local.

O investimento é robusto: um montante elegível de 2 milhões, 312 mil e 569,68 euros, dos quais 2 milhões, 81 mil e 312,74 euros são comparticipados pelo FEDER.

A abertura de portas não podia ser mais simbólica, levando à Bordeira o espetáculo «Eis o Algarve», da autoria de Nelson Conceição, acordeonista e filho da terra.